Eyele

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Ifá Espirito Santo Liberdade

terça-feira, 27 de maio de 2014

ORI - Superar Apegos e Vícios - Químicos ou Comportamentais



ORI INU
Como ultrapassar os obstáculos que impedem a entrega / Desejo: tomar consciência deles e do que os sustenta; a repressão dos desejos e como entrar num acordo com eles / O uso consciente da austeridade inteligente / A espontaneidade da renúncia / As crenças a respeito de Deus.

Para superar o apego é preciso tornar consciente o que ainda é inconsciente, e confrontar com calma e determinação.
Por Sri Prem Baba
 "Eu tomei consciência daquilo que me prendia. Tomei consciência dos apegos e do que sustentava os apegos. Eu estou constantemente lhe convidando a tomar consciência dos apegos e daquilo que sustenta tais apegos, porque enquanto você estiver inconsciente a respeito dessas ataduras, você não poderá se libertar deles. Há que se estar consciente para dizer, chega, eu não quero mais. Como no exemplo que já dei algumas vezes, do Lama que tinha ido para o ocidente pela primeira vez e havia se encantado com o iogurte e estava num congresso num hotel e na hora do almoço tinha um Buffet e naquele dia tinha iogurte de sobremesa e tinha uma fila grande para poder pegar a sobremesa e ele entrou na fila e ficava se observando e vendo que quando alguém pegava iogurte ele ficava com raiva e medo de que faltasse iogurte para ele e quando alguém passava sem pegar ele ficava feliz e esperançoso que ia sobrar para ele. Ele foi nesse sofrimento até chegar a vez dele quando ele falou: eu não vou dar iogurte para esse viciado em iogurte e passou direto. Essa é uma história muito inspiradora. Esta nos mostrando como devemos lidar com nossos eus psicológicos e com os apegos criados por esses eus. O que alimenta o apego é o desejo. É muito importante que você chegue a um acordo com o desejo. Reprimir o desejo não é inteligente. Não é sensato porque tudo aquilo que é proibido é desejado. É uma lei psíquica. Então você tenta reprimir o desejo, ele aumenta. Você só pode fazer uso de uma austeridade, quando pode compreender suficientemente a falta de sentido daquele comportamento, daquela motivação. Isso é pessoal, cada um tem seu tempo. Mas independentemente do tempo de cada um, inevitavelmente todos precisarão chegar num acordo com o desejo. Se você não trás o desejo para a consciência para estuda-lo e compreender o que é esse poder que rouba completamente a sua consciência, você não poderá interrompê-lo. Porque o que você não pode interromper sem estar consciente é o desejar. Você só pode interromper essa compulsão quando você está presente. A compulsão é um poço sem fundo. E você só coloca um fundo e pode fazer uso de uma austeridade Inteligente para interromper esse círculo, para que a austeridade inteligente abra espaço para você se libertar, quando você está compreendendo esse desejo. O que você quer do mundo? Você só aceita o convite para ir para outro lado, quando está suficientemente cansado desse. Isso é assim em todas as mudanças que a vida lhe propõe. Sempre que a vida te chama para uma coisa nova, você só se abre para essa coisa nova, se estiver cansado da forma como tem levado a vida até então. Se não, não tem nem sentido, a mudança. Porque vai mudar algo que está dando certo? Mudar de casa se a sua está tão confortável. Só muda se está insatisfeito com a sua casa, se tem algum desconforto. Se tem alguma fricção que você não está dando conta de resolver. E o mesmo se dá com os ciclos da vida. Quando você se cansou do mundo, aí você volta para dentro. Aí a renúncia é espontânea. Certa vez eu li uma história a respeito de um buscador que foi até o mestre, para se entregar. O mestre estava dentro de uma caverna e estava olhando para o fundo da caverna. O buscador chegou e o mestre não olhou para ele e o buscador falou com ele, virado de costas. O buscador falou: “eu vim para me entregar”, ele estava sozinho, mas o mestre falou: “eu só aceito indivíduos, eu não inicio multidões”, volte sozinho que eu te iniciarei. O homem não entendeu porque ele estava sozinho e disse: “eu estou sozinho”. O mestre sem virar ainda, diz: “você está enganado, esta trazendo sua família, seus amigos, uma multidão com você”. O buscador tomou consciência que estava carregando realmente o peso de deixar tantas contas abertas: os filhos chorando e a mulher chorando porque ele tinha ido embora e aí entendeu que não estava pronto para dar esse passo. Aí voltou para o mundo para poder acertar essas contas. O que é que você deseja do mundo? O que você quer dele? É isso que você quer dele que te impede de deixa-lo, porque esse mergulho no abismo é uma metáfora para ser tomado pelo espirito da renúncia. É se tornar livre dos apegos. É permitir que o ego se dissolva no Divino. Mas o ego não vai fazer isso enquanto tiver interesses. Então ajuda bastante você saber quais são esses interesses porque assim você caminha honestamente. O caminho espiritual pode ser trilhado de muitas maneiras. Na essência precisa estar a sua honestidade. Seu compromisso com a verdade.



Em dado momento da jornada eu tomei consciência que tinham dois dentro de mim. Um estava comprometido com a paz, com o amor, com a união, mas tinha outro que ainda estava comprometido com a guerra. Enquanto houver vetores do desejo apontando para a guerra ou para o mundo, são sinônimos, metáforas para aquilo que deseja a natureza inferior, você não poderá se render aos desígnios do coração. Junto com isso seria bom que você pudesse também tomar consciência de quem e Deus para você, porque as crenças a respeito de Deus te impedem de dar esse passo. Ela faz com que você se demore no jogo da natureza inferior. Porque você vai abrir mão dessa casa que você conhece para outra que você duvida? Quem é Deus para você? Quem é esse Deus que você esta conscientemente querendo se entregar e não consegue? Porque se você carrega uma crença de que esse Deus é cruel, tirando, se é uma extensão dos seus pais, você não vai mesmo fazer esse movimento em direção a ele. Então esses são dois pontos que precisam ser observados, mas nesse momento eu sinto que o principal e ficar consciente dos desejos. O desejo agrega valor à ideia de eu. Então você compra o carro novo e está lá dirigindo e naquele momento aquele carro é você também, mas dura muito pouco essa sensação de preenchimento e de identidade, logo você vai precisar mais alguma coisa para agregar valor a ideia de eu e aí você compra um casa nova e então se sente essa casa. Se sente preenchido por algum tempo, mas de novo isso se desfaz porque é somente algo externo que você esta usando para agregar valor a ideia de eu. Ai você deseja um namorado, namorada e aí se demora um pouco mais porque é desafiador dominar o outro, mas até em alguns casos você conquista e então se desinteressa de novo e assim você segue a vida, desejando. Tentando encontrar elementos que agreguem valor a essa ideia de quem é você. Isso se torna compulsivo. Assim como o desejo pelo iogurte. Se tem desejo tem comparação. O outro tem, eu não tenho. Um tem o outro pode vir a ter, eu ainda não tenho. Isso vai estimulando a inveja, ciúme e um monte de sentimentos negativos, mas esse desejo em algum momento se mostra, mostra que não tem como realmente te preencher. Esse desejar compulsivo começa a enfraquecer porque você começa a perceber que realmente nada de fora vai trazer o preenchimento e satisfação que você procura. O salto não acontece se você não estiver consciente do que esta buscando no mundo. Muitos têm energia para dar esse salto. Tem energia para o despertar, mas ainda carregam desejo e o desejo não permite que isso aconteça. Conscientemente todo mundo só quer aquilo que é bom, só querem acordar porque compreenderam que é a única saída para o sofrimento, mas você guarda dentro de você desejos, que muitas vezes você não tem nem consciência. Deixa isso vir. Não se envergonhe. Fique atento com a máscara do espiritual. Espiritualidade é autenticidade.
 Mais vale uma raiva verdadeira que um sorriso falso. É mais valioso você tomar consciência do seu desejo pelo mundo do que ficar negando"



Valioso ensinamento dado por Sri Prem Baba
Janeiro de 2014.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A Árvore da Vida de Kamitic - Egito & Yorubá - Parte 02




Esfera 03 – Sekert – Obaluaye


Onipotência - O Poder da Criação

A Esfera 03 da árvore representa o aspecto onipotência do Criador. 
A divindade representada pela Esfera 03 da Árvore foi chamado Sekert pelo Kamau, e é chamado de Obaluaye na tradição yorubá. A ciência espiritual Kamitic sustenta que a criação é provocada pela Palavra, invocação, ou vibração. Assim a Esfera 03 também representa as palavras de poder, ou mantras. Estes foram chamados hekau (singular: heka) pelo Kamau. A vibração divina original, que criou o mundo (o nosso), foi dito "aung". Essa palavra divina inicial de vibração foi emitida a partir desse aspecto do Criador representado pela esfera 03. A escritura Kamitic tem Deus dizendo: "eu trouxe em minha boca meu próprio nome, ou seja, uma palavra de poder, e eu, eu mesmo, surgi na forma de coisas que vieram a existir, e eu vim as formas do Criador ". Desde a criação do universo, trazem à existência da estrutura, e também a limitação por inferência, Sekert e Obaluaye são identificados como os fundamentos de todas as coisas criadas. Sendo assim, Sekert ou Obaluaye estão para ajudar a criar uma base sólida e duradoura. Considerando que nada dura para sempre no mundo, Sekert e Obaluaye foram também identificados com os ciclos, e uma vez que nenhum novo ciclo começa a menos que um velho morra, Sekert e Obaluaye também são identificadas, tanto quanto com a morte como com a criação. Mas isso não é tão mórbido que possa parecer para a mente ocidental, para dentro da cosmologia Africana, a morte não é vista como definitiva, mas como uma transição. De qualquer forma, Sekert e Obaluaye presidem os funerais e cemitérios, e o crânio é um de seus totens.



Esfera 04 – Maat – Aje Saluga



Lei Divina / Verdade, Harmonia, a interdependência de todas as coisas


A Esfera 04 da Árvore da Vida representa o aspecto do Criador correspondente às leis da existência para as coisas da criação. Esta é a Lei Divina. Na tradição Kamitic, a divindade representada por esta Esfera é conhecida como Maat. No panteão Yoruba, ela é conhecida como Aje Salugá. As leis para que Maat é a expressão de governar ambos os aspectos da mente (consciência / Inconsciência), bem como aspectos da matéria (Energia / Matéria). Assim Maat rege os princípios da verdade divina, amor, justiça, equilíbrio, harmonia, Inter-dependência de todas as coisas, etc, bem como as leis da física e de todos os fenômenos de energia / matéria, sendo que este último inclui as leis que regem os fenômenos espirituais . É a pena de Maat, que é usada para pesar o coração no dia do Juízo Final.



                     Esfera 05 – Herukhuti– Ogun

Aplicação da Lei Divina.



A Esfera 05 da árvore representa o aspecto do Espírito de que a Lei Divina é "forçada". Na tradição Kamitic, a divindade representada por esta Esfera é conhecido como Herukhuti. No Yoruba, ele é conhecido como Ogun. A ira de Deus (castigo) é exercida por esta faculdade, como é o amor de Deus em seu aspecto de proteção. Há uma lógica de equilíbrio no trabalho aqui. Não há nenhuma lei sem meios de execução, portanto, Herukhuti é necessário para complementar Maat.



Próxima Postagem - Esferas 06 e 07

Por Ifá Korede Emerson Fernandes
Fontes de Consulta:
- Metu Neter
-  A Sabedoria Antiga na África - Patrick Bowen

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A Árvore da Vida de Kamitic - Egito & Yorubá - Parte 01



 
O propósito da criação

Se a verdadeira natureza de Deus, a Fonte, é Amen, e é, essencialmente, incondicionado e indiferenciada, surge a pergunta: por que Deus criou o mundo de diferenciação em que o homem habita?, e, ainda, por que ele criou o homem?

 A escritura Kamitic de Deus no estado de **Amen diz: "Eu estava sozinho, não nasceu, foram eles." Amen (1996) cita a escritura para explicar que Deus criou o mundo, a fim de ter experiência. E Ele criou o homem, a fim de ter um veículo no mundo com as mesmas qualidades essenciais como a própria. O homem é, nesse sentido, criado "à imagem de Deus." Além disso, como Patrick Bowen nos informa, o *Bonaabakulu Abasekhemu ensinam que o homem está em uma viagem de retorno à Fonte, ao Itongo (Espírito Universal), ao estado de Amen. Homem, no seu, aspecto físico grosseiro, e o mundo em geral, é representado pela esfera 10 na parte inferior da árvore. A Esfera 10 representa, portanto, o resultado final da criação. As Esferas de 01 a 09 no meio representam os estágios funcionais de criação, bem como os vários aspectos do ser espiritual, que também faz parte da natureza do homem. Não só a Árvore da Vida representa o desdobramento da Criação, como também representa o caminho de volta, esfera por esfera (ou ramo por ramo), para viagem espiritual de regresso do homem.

Os estágios funcionais da criação, e os aspectos do espírito

Esferas ou Enéade de 1 a 9, além de representar as fases funcionais da criação, também representam as divindades e arquétipos que apresentam as qualidades mais pertinentes ao estágio funcional da criação, com os quais respectivamente estão identificados. Ao nível do homem, essas mesmas energias arquetípicas irão encontrar expressões como tipos de personalidades arquetípicas, dos quais cada um de nós é, em certo sentido uma mistura. A Árvore da Vida é para ser entendida como um modelo de muitas realidades que se interpenetram: de divindades, de aspectos da psique, de aspectos funcionais da criação, entre outros ainda não abordados. Cada uma das esferas da Árvore será descrita brevemente.
 
 
 
Esfera 01 – Ausar - Obatalá


Onipresença - Tema Central.
A Esfera 01 na árvore corresponde ao   Deus manifestado no mundo, e é a imagem espelhada da esfera 0(zero) em cima da árvore. Ou seja, onde a Esfera 0(zero) representa Deus não manifestado, ou  Deus "escondido", a Esfera 1 na árvore representa Deus no mundo. A Esfera 1 representa o aspecto mais elevado do espírito do homem, que está ainda adormecido em todos nós, com exceção de certos adeptos ou "homens-Deus na terra", como: Jesus, Buda, e os "Seres Superiores" da Bonaabakulu Abasekhemu . A Esfera 01 representa a "Centelha Divina" dentro de todos nós. O desafio é criar e estabelecer nossa consciência individualizada na parte do Espírito correspondente a Esfera 01. De acordo com a cosmologia Africana, este é um processo que leva incontáveis ​​encarnações, mas se consciente ou inconscientemente, é uma viagem na qual todos nós estamos embarcados. O aspecto da criação e do Espírito correspondente a Esfera 01 na Árvore é chamado Ausar na tradição Kamitic.
 
Na tradição yorubá, é chamado de Obatalá. O atributo que define a manifestar Deus no mundo é a onipresença. Por extensão, o princípio da onipresença é também o princípio do tema central, como aquela que infunde todos os aspectos de uma coisa, ou a realidade, daí Ausar e Obatalá são as divindades que regem a cabeça e clareza de visão, propósito, etc.
 
Esfera 2 – Tehuti – Orunmilá
Onisciência - Vontade Divina.
 
A Esfera 2 sobre a Árvore da Vida representa o atributo da onisciência. A divindade representada pela Esfera 2 da árvore é chamado Tehuti, às vezes Djehuti, na tradição Kamitic. Como já mencionado, Tehuti era conhecido pelos gregos como Thoth. É esta faculdade de sabe-tudo que constitui a base para toda adivinhação, que é um método pelo qual o homem pode se comunicar com a divindade da segunda Esfera – O Oráculo, ou a divindade através do qual Ausar fala. A divindade de Esfera 02 fala ao homem através de toda a variedade de veículos, por exemplo, através do lançamento de moedas, como o I Ching, o desenho das hastes, o sorteio dos ossos, a leitura de folhas de chá, Jogo de búzios, Ikin e Opelé Ifá, e na elaboração de cartas de um baralho. Ra Un Nefer Amen recuperou , o Grande Oráculo de Tehuti, que fala, por assim dizer, por meio de cartas semelhantes às do Tarô. No panteão Yoruba, Orunmilá é a divindade que representa a sabedoria e é responsável por toda adivinhação. Ifá está relacionado, e é o nome dado ao sistema de adivinhação utilizado pelos Babalawo Yoruba, assim como a religião tradicional praticada pela Yorubá. É através da Esfera 02, que a vontade de Deus pode ser conhecida. Além dos sistemas de adivinhação, a faculdade da onisciência do Criador pode ser manifestada através da vida dos sábios e adeptos que puderam através do culto espiritual ou através de ajuda divina, para estabelecer sua consciência na parte do Espírito representado pela esfera 02 na árvore.
 
Próxima Postagem - Esferas 03 e 04
Notas:
* Bonaabakulu abasekhemu
Irmandade, usando o discurso Bantu antigo, que é a língua-mãe do grupo mais amplo de línguas no continente.
The Brotherhoodwasfounded in Egypt in thereignofthePharaohCheops; its founderbeing a priestof Isis. A Irmandade foi fundada no Egito durante o reinado do faraó Quéops. It hasas its objectsthespreadingoftheWisdomwhich comes fromofOld amongallracesandtribes in Africa, andthestudyandpracticeby its membersofwhatwecallUkwazikwesithabango, whichmeansthatsciencewhichdependsonthepowerofthought. Tem como seus objetos a propagação da sabedoria que vem da antiga entre todas as raças e tribos da África, bem como o estudo e a prática dos seus membros do que chamamos de Ukwazikwesithabango, o que significa que a ciência que depende do poder do pensamento. It istheonlytruesciencethereis. É a única verdadeira ciência que existe.
**Amen (Amon) e Amen-Ra
O rei dos deuses, e a tríade de Tebas, antiga capital egípcia.
A palavra ou a raiz Amen, certamente significa "o que está escondido", "o que não se vê", "o que não pode ser visto", e assim por diante, e este fato é comprovado por dezenas de exemplos que podem ser coletados a partir de textos de todos os períodos.  
 
 
Por Ifá Korede Emerson Fernandes
Fontes de Consulta:
- Metu Neter
-  A Sabedoria Antiga na África - Patrick Bowen

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O QUE É TEOSOFIA?








Se você perguntar aos teosofistas “O que é a Teosofia?” obterá uma grande variedade de respostas. Alguns lhe dirão que é uma visão globalizada que dá significado e propósito à vida. Outros, que é a Sabedoria Antiga, uma filosofia espiritual que está presente desde tempos imemoriais. Outros ainda, que propõe um estilo de vida, uma senda que conduz à paz e compreensão através do serviço. Teosofia é tudo isso e muito mais.
Trata-se de uma visão global que dá ênfase à Unidade e à interconexão de tudo o que vive e à identidade básica entre todas as espécies na Terra e entre todos os povos.
Não espera credulidade nem se baseia em dogmas, pois sua filosofia busca a compreensão e dispensa fé cega. Não se trata de uma religião, apesar de muitas de suas idéias e conceitos serem fundamentados tanto em antigas quanto em modernas religiões. Seus princípios foram estabelecidos por clarividentes e sábios em eras remotas.
 Por conta disto é chamada “A Sabedoria Antiga”, “Tradição-Sabedoria”, a filosofia perene.



A DOUTRINA SECRETA

 

 
 
Uma brilhante visão geral da Teosofia chegou ao Ocidente em 1888 com a publicação da Doutrina Secreta, escrita por Helena Petrovna Blavatsky. Neste livro, fonte de sabedoria espiritual, a autora menciona antigos sábios, tais como Platão, Confúncio, Gautama Buddha, Jesus, além de filósofos, cientistas e pensadores de sua época.
 
Ela extraiu destas e de outras fontes os fios que entrelaçam, na tapeçaria cósmica, as imagens permeadas pela inteligência e pelo espírito, como se fosse divinamente guiada desde o interior. Retratou os humanos como sendo tanto terrenos como divinos e com um vasto potencial adormecido a ser desvelado nos futuros ciclos da evolução. Descreveu nossa natureza sétupla com sua crescente capacidade de elaborar maiores expressões, emoções e sentimentos, sobre o pensamento concreto e abstrato, sobre a intuição, a compaixão, a consciência da unidade e o anseio espiritual. Esclareceu como os mundos suprafísicos em torno de nós permeiam o mundo físico visível, de onde uma inteligência e uma energia sutís se expressam em nós e em toda a natureza. Dos vários conceitos citados pela Teosofia desde que Blavatsky escreveu a Doutrina Secreta, nenhum foi mais completo ou profundo.

 

UMA VISÃO DOS PROPÓSITOS



 
 A Teosofia responde à nossa busca de um sentido com a idéia de que nós e o universo caminhamos para desvelar os poderes latentes do espírito e da consciência. Isto atende à nossa necessidade de pertencermos a algo mais grandioso que nós mesmos, aponta à chama, em cada um de nós, que é sempre parte da Vida Divina da qual tudo emana. Explica que a vida semeia desigualdades como consequência do karma, a lei do equilíbrio, que nos dá referências para as nossas ações e nos educa.  Isto expande nossa perspectiva até o conceito de que há um “continuum” em muitas vidas, através do quê, crescemos em direção à maturidade espiritual. 
 
 
 
UMA ATITUDE DE VIDA
 
 Há uma atitude implícita na Teosofia, na qual buscamos realizar nossa unidade com todos os outros e aspirarmos despertar nossos mais altos potenciais como a intuição, o entendimento, a percepção, o amor e a compaixão. A Teosofia nos encoraja a expandir nossas mentes através do estudo, expandir nossos corações através da compreensão do outro indo em sua direção e nos esmerando através de um trabalho útil e do serviço altruístico. Encoraja à autocrítica e ao autoexame para que possamos purificar e melhorar nosso caráter, vencendo assim os obstáculos para que realizemos a Vida Divina que se expressa através de nós. O estudo da Teosofia nos inspira a meditar, de modo que possamos tranquilizar nossas mentes e emoções para que encontremos o centro de nossa consciência, a verdadeira essência.
 
 

As bases da Teosofia são razoáveis e de fácil compreensão, mas há também assuntos profundos que desafiam nossa intuição e necessitam de toda uma vida de estudos, para aqueles que sentirem tal inclinação. Qualquer um pode ter uma vida de teosofista buscando a harmonia com a natureza e tudo o mais. Mas esta senda pede que se deixe para trás o homem comum e que se busque desvelar os mais elevados potenciais espirituais. Desta forma, a Teosofia oferece uma filosofia através da qual a vida no presente conduz a um crescimento sem limites.
 
Frequentei por um tempo a loja teosófica no centro do RJ, e de lá extrai a base para este resumo.
 
Por Ifá Korede Iyemi Songo Fe Mi Emerson Fernandes
 
 
 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

ABIKU - "NÓS NASCEMOS PARA MORRER"



ABIKU - A = Nós; Bi = Nascer; Ku = Morrer [Nós nascemos para morrer]

  No Orun; um mundo paralelo que nos rodeia, onde vivem Deuses e Antepassados, palavra facilmente traduzível por Céu; mora um grupo de crianças chamado Egbe Orun Abiku - as crianças que nascem para morrer em curto espaço de tempo, gerando grande sofrimento para as suas famílias.
  As meninas são chefiadas por Oloiko [chefe de grupo]    e os meninos por Ìyájanjasa [a mãe que bate e corre].
  A permanência dos Abiku ou Emere é condicionada a um pacto que fazem na vinda do Orun para o Aiye [a Terra] com Onibode Orun, o porteiro do Céu.
  Este pacto é cumprido rigorosamente pelos Abiku, uma criança cujo acordo for não nascer, realmente não nascerá; outra que combine voltar quando romper seu primeiro dente, terá morte súbita, por acidente ou por doença, horas ou dias após o aparecimento deste dente.
  Quando uma criança Abiku nasce, seu par, aquele seu companheiro mais chegado no Orun, começará a interferir em sua vida, atormentando-a, aparecendo-lhe em sonhos, a fim de que não se esqueça de seus amigos do Orun e rapidamente volte para eles, assim que houver cumprido o seu pacto.
  Várias histórias de Abiku nos são relatadas nos Itan Ifá, pelos odú Odi, Obara, Ejiogbe, Irete-Irosun, Otura-Rete, Iwori-Wosa entre outros [ Tradição oral ].
 

IWORI-WOSA
  O dia que uma criança dá o aviso que vai se suicidar
  Não se pode permitir que sua intenção se concretize
  Ifá foi consultado para Matanmi (não me engane)
  Que estava vindo do Céu para a Terra
  Ele foi avisado que deveria fazer sacrifício
  O que devemos sacrificar para não sermos enganados pela Morte?
  ...
  O que devemos sacrificar para não sermos enganados pela Doença?
  ...
EJIOGBE
  O olho da agulha não goteja pus
  No banheiro não se põe uma canoa a navegar
  Ifá foi consultado para Òrúnmìlà
  Quando ele fazia um pacto com Emere (Àbíkú)
  Um pacto fora feito com Emere (Àbíkú)
  Ele não iria morrer logo na flor da idade
  O caso do Emere (Àbíkú) agora fica seguro com Ifá
  A primeira vez que os Àbíkú vieram para a Terra foi em Awaiye, rei de Awaiye, num grupo de duzentos e oitenta, trazidos por Alawaiye, rei de Awaiye e chefe deles no Òrun. Na vinda para a Terra, todos pararam no portal do Céu e vários pactos foram feitos. Eles voltariam ao Òrun
quando:
  - Vissem pela primeira vez o rosto de sua mãe;
  - Casassem;
  - Completassem 7 dias de vida;
  - Tivessem novo irmão;
  - Construíssem uma casa;
  - Começassem a andar.
  E nenhum queria aceitar o amor de seus pais, e os presentes e mimos seriam insuficientes para retê-los na Terra, e talvez alguns absolutamente não nascessem.
  Esta primeira leva de crianças Àbíkú combinaram entre si também roupas, rituais, chapéus e turbantes, tingidos de òsun que teriam valor simbólico de 1.400 búzios e que, se seus pais adivinhassem estas roupas e dessem-nas como oferendas, poderiam segurá-las na Terra.
  As roupas seriam colocadas penduradas nas árvores do Bosque Sagrado dos Àbíkú, em Awaiye, e seus pais fariam anualmente uma festa, com tambores e cantigas, para alegrar os Àbíkú, que seriam untados com òsun, e não voltariam mais ao Òrun, rompendo assim o pacto feito, e seu vínculo com o Egbe Òrun Àbíkú.
Outras histórias são contadas por Òrúnmìlà sobre crianças que, depois de várias idas e vindas entre o Céu e a Terra, puderam ser conservadas vivas, devido a seus pais terem consultado Ifá e feito os Ebo determinados por Òrúnmìlà, trocando ou acrescentando um nome que os desanimassem de morrer novamente, usando folhas sagradas em fricções nos seus corpinhos, para afastar os outros companheiros Àbíkú, colocando em seus tornozelos Sawooro , fazendo em seus corpos pequenas incisões, e através delas inserindo pó preto e mágico de uma mistura de folhas, e com este mesmo pó enchendo um amuleto de couro em forma de pequeno saco, chamado Óndè que seria preso à cintura da criança.
  Alguns Àbíkú também deveriam colocar em seus tornozelos pesadas argolas e correntes que não os deixariam fugir para o Òrun. As oferendas eram feitas como recomendavam os Itan Ifá - roupas e chapéus tingidos com òsun, alimentos, guizos, búzios, doces, bebidas, dentre outros segredos a serem entregues no Bosque Sagrado, ou enterrados à margem de um rio, ou soltas nas águas.
  Estes Ebo possibilitariam aos pais reter seus filhos na Terra, e eles não morreriam mais.
  Porém, se apesar das oferendas, os chefes das Comunidades Àbíkú, Oloiko e Iyajanjasa insistissem em vir à Terra em busca de suas crianças, e conseguissem levá-las de volta ao Òrun, os pais deveriam marcar seus corpos, para que seus pares no Òrun não os reconhecessem ou aceitassem de volta. 
Também pelas marcas seriam reconhecidas quando voltassem à Terra e não quereriam mais nascer.
 
 
  Nas terras de ancestralidade Yorùbá, uma mãe que perde vários filhos antes ou depois do nascimento, por morte brusca, súbita ou inexplicável, procura um Bàbáláwo e descobre estar dando a luz a uma criança Àbíkú, que pode nascer e morrer inúmeras vezes impedindo-a também de ter filhos normais.
O Bàbáláwo indica a necessidade de Ebo, o uso de folhas, procedimentos estes usados para afastar o Àbíkú, se os filhos da mulher estiverem mortos, e para que ela possa gerar crianças perfeitas. Ou para reter a criança na Terra e romper seu vínculo com o Òrun, mantendo-a viva.
  Até que a criança complete nove anos, sempre próximo à data do seu aniversário, determinadas oferendas serão feitas e depois repetidas até o Àbíkú completar dezenove anos.
  A criança deverá usar roupas especiais, com enfeites e cores específicas, seu nome deve ser mudado ou a ele acrescentado outro, que desestimule sua volta ao Òrun.
  Guizos em quantidade devem ser presos a seus brinquedos, roupas, tornozelos, pulso, pois o som dos guizos faz bem ao Àbíkú e afasta os amigos do Céu.
  A fava Éerù, no Brasil chamada Bejerekun, deve ser usada em banhos e chás, pacificando a criança, Efun também pode ser utilizado para acalmá-la.
Vários povos ao redor do Golfo de Guinéa tem a mesma crença nos Àbíkú, embora dêem à eles nomes diferentes. Os Nupe chamam-nos de Kuchi ou Gaya-Kpeama. Entre os Ibo, são chamados Ogbanje ou Eze-Nwanyi ou Agwu ou ainda Iyi-Uwa Ogbanje. Já os Haussa chamam-nos Danwabi ou kyauta. 
Os Akan denominam a mãe de um Àbíkú Awomawu e entre os Fanti são conhecidos por Kossamah.
  Famílias que já perderam um ou mais filhos, tendem a buscar na religião um consolo e uma explicação para estas mortes, e é dever da Tradição de Òrìsà e do Candomblé Ketu, estar apta para oferecer, além de um amparo religioso que diminua o sofrimento dos pais, uma solução para que tal tragédia não mais ocorra.
  Temos muita pouca literatura em português sobre o assunto, talvez apenas a tradução de um excelente artigo de Pierre Verger, publicado em 1983 na Revistas Afro-Asia no 14, com uma explanação ampla sobre Itan Ifá, Oruko Àbíkú, folhas e Ofo do qual farei citações literais mais adiante.
  Outros autores africanos, franceses e ingleses falam sobre o assunto, em considerações superficiais ou profundas, mas suas publicações não estão disponíveis para a quase totalidade do sacerdócio brasileiro.
  O fato de não possuirmos no Brasil local determinado, como a Floresta Àbíkú de Awaiye, não nos impede de sacralizar parte de um bosque para receber as oferendas das famílias das crianças Àbíkú.
 
 
 
Nada porém dever ser feito sem confirmação e autorização de Òrúnmìlà, pois só a ele cabe nos orientar em nossas dificuldades e dúvidas.
 
 
Por Ifá Korede Iyemi Songó Fé Mí