Eyele

Eyele
Ifá Espirito Santo Liberdade

quinta-feira, 14 de março de 2013

IYAMI, A GRANDE MÃE

NO MÊS DAS MULHERES, UMA HOMENAGEM A ALTURA!


 


 “... E KÚNLÈ O, E KÚNLÈ F’OBINRIN O,
E OBINRIN L’Ó BÍ WA, K’ÀWA TÓ D’ENIA
OGBON ÀIYÉ T’OBINRIN NI, E KÚNLÈ F’OBINRIN
...
E OBINRIN L’O BÍ WA O, K’ÀWA TÓ D’ENIA...”.

"...Ajoelhem-se para as mulheres,
A mulher nos colocou no mundo, nós somos seres humanos
A mulher é a inteligência da terra
A mulher nos colocou no mundo, nós somos
seres humanos...".
 
MEUS RESPEITOS SENHORAS PASSAROS DA NOITE!
NÃO ME FAÇA MAL!


 A virtude de poder trazer filhos ao mundo que têm as mulheres, um fato quase mágico, maravilhoso que as acerca ao divino, é e foi também motivo de temor em muitos povos antigos, algo que era inexplicável, pelo qual as mulheres sempre foram vistas como possuidoras de certo poder especial. Fala-se da famosa "intuição feminina", mas mais do que nada, em todas as culturas há uma tendência a transformá-la em "BRUXA", no sentido de crer que tem poderes inatos para comunicar-se com forças além do alcance do entendimento do homem. O mito da "bruxa" que voa na
vassoura acompanhada por pássaros macabros é quase mundial, com pequenas diferenças segundo o lugar do mundo do qual falemos.

Também se relaciona a fecundidade com o misterioso sangue menstrual, que é a marca que pauta a conversão da menina numa mulher, daí em mais será considerada também uma Iyami, aquela que em qualquer momento deixará de ter a regra, inchando-se o ventre, revelando que tinha em seu interior a "cabaça da existência", o caminho pelo qual todos vêm do Orun para o Aye. Mais para confirmar dita transformação em "mulher" levam-se a cabo os "ritos de passagem" nos que as meninas-mulheres estarão isoladas durante vários dias, alimentadas e vestidas de um modo
especial, onde conhecerão todos os segredos relacionados com as mulheres, os que serão devidamente dados pelas anciãs de sua comunidade.

Os ritos assegurarão entre outras coisas que seja possuidora de uma "cabaça” fértil e o alinhamento de seu lado espiritual feminino com seu corpo, convertendo-a numa mulher em todo sentido. Há ao final uma apresentação em público das garotas que deixaram atrás a etapa da meninice, para que os homens lhes tenham em conta no momento de querer escolher uma esposa. A palavra Iyami por si só, em realidade não identifica à mulher com o lado escuro de seu poder, muito pelo contrário é um modo de exaltar e homenagear sua capacidade de engendrar apelando a seu lado protetor maternal, pois significa: "MINHA MÃE". Esta forma de referir-se a qualquer mulher expressa um sentido de reverência àquela que serve de ponte entre os antepassados e os vivos, bem como também reflete seu importante papel maternal.
Desse modo todas as divindades femininas são chamadas também Iyami, mais não no sentido de "bruxas" senão por tratar-se de uma homenagem verbal às grandes MÃES ESPIRITUAIS.

Embora a mulher seja fértil (ao menos em teoria por ter a regra), não se lhe considera apta para encarregar-se de certos aspectos importantes dentro das religiões africanistas. Por muitos motivos, os principais não podem revelar-se aqui por tratar-se de um conhecimento que só devem possuir sacerdotes que adquiriram certo status na comunidade. Mais algumas razões práticas têm a que ver com o atendimento constante que requer o culto e uma mulher não pode dedicar-se por inteiro ao mesmo já que segue tendo a regra, pois devem abster-se do contato com as divindades durante esse período e no caso de ficar grávida, durante os últimos meses, o parto e a posterior quarentena (sem contar que depois por vários meses todo seu atendimento deve ser para o

bebê).

Quando se fala de Iyami Osoronga muda bastante o conceito antes exposto, pois se refere ao mito sobre o poder
feminino associado às AVES a partir de certas espécies que atracaram a mente do homem por sua rareza ou comportamentos macabros. Ainda que também não isolado das mulheres ou dos Orisas o mito Iyami se relaciona com estas por seus estômagos, mais precisamente com seu útero, ao qual sempre nos referimos como IGBA IWA (a cabaça da existência). Trata-se da comparação metafórica entre um ovo fecundado e a barriga da mulher grávida, onde se costuma dizer que a mulher tem o “poder do pássaro encerrado na cabaça”.
No útero da mulher não se vê a simples vista ao bebê, mas sim se sentem seus movimentos, enquanto no ovo (de uma galinha, por exemplo) não se aprecia o movimento, mas se pode ver a depois de luz ao filhote, em ambos
os casos se pode apalpar a fecundidade e o surpreendente poder "mágico" que isto implica.
O mito Iyami Aye então, não é o culto às mulheres bruxas nem às aves macabras, senão que é a associação mágica e metafórica entre o poder feminino da fecundação e o poder místico de algumas aves noturnas (principalmente) que somado a certos temores e sentimentos negativos dos seres humanos cria no espaço etéreo os Espíritos Coletivos das Eleye (donos das aves) ou Iyami Aje (Minha mãe feiticeira) ou mesmo Iyami Osoronga, todas estas denominações que aludem ao mesmo.
Estes espíritos são impessoais, nunca tiveram corpo humano nem o terão, fazem parte do homem e a natureza ao mesmo tempo, espécie de "parasitas" que aparece junto com o homem no mundo por causa de sua existência, não têm consciência, são alimentados pela idéias malignas e os temores, por isso se tornam consideravelmente perigosos no plano astral. Podem ter sexo masculino ou feminino e sempre vem em casal, representando o equilíbrio, a dualidade existente em todos os planos, inclusive no de nossos próprios temores mais escuros.
A crença popular yoruba se crê que têm forma humanóide com plumas, mais nunca se representam em imagens ou gravuras, só se intui seu poder através dos pássaros, os que majoritariamente são usados como símbolos nas bengalas metálicas (osun) dos Babalawos ou nas coroas dos Obas, representando que o possuidor tem a autoridade para acalmar-lhes e que para ganhar tal titulo primeiro teve que render homenagem ao Poder Feminino. As Iyami Aje atuam sob a supervisão de Oso e têm estreita relação com outros Orisá como Ogun que é o dono dos sacrifícios e quem provê o sagrado líquido pertencente à Eléye.

Quando há uma influência negativa por parte dos Eleye masculinos se diz que são os Oso quem estão trabalhando na contramão da pessoa, ainda que nunca haja um culpado externo responsável destes ataques, pois em verdade sempre é a própria pessoa que muitas vezes ganha "o castigo" através de seu comportamento. As Eleye são executoras da lei num sentido inverso, isto é, procurar o bem a partir do mal. Toda pessoa que tenha certa inclinação às características negativas para os demais está alimentando estas forças e ao mesmo tempo antevendo o mal perigosamente, o que em longo prazo faz com que a própria energia negativa da pessoa se converta em seu próprio juiz, Iyami Osoronga posará suas patas em cima de sua cabeça.
Não há nenhum ebó capaz de vencer o trabalho destes Espíritos, o único que se pode no máximo é apaziguar-lhes e isso é porque "vivem" em nossas entranhas, em estado latente. Sua função se torna importante, pois apesar de ser "inimigas" das pessoas tendem a regular o comportamento do Ser Humano através de seus medos. Quem deseja que Iyami Osoronga não se torne um obstáculo em sua vida deve frear os sentimentos de inveja, ciúmes, rancor, bem como qualquer pensamento negativo para Crê-se que as Iyami se reúnem em assembléia numa mesa presidida por Oso, onde se conspiraria e especularia sobre as maldades a realizar enviando os Ajogun após o questionamento se foi feito ou não os ebó marcados por Babalawos através de Ifa. Deste modo servem de reguladores do comportamento frente às dívidas geradas ante as divindades, por causa de ter rompido o equilíbrio existente de alguma maneira seja numa vida anterior ou na presente.

A Iyami Ayé pertence toda sangue derramado na terra e também são quem controlam o sangue menstrual a que quando aparece revela a presença próxima destas criaturas, o que explicaria as dores típicas e o comportamento histérico que costuma ter as mulheres nessa etapa.

Isto também é outra razão pela qual nos sacrifícios para Orisá o sangue não deve tocar a terra - existindo um método ritual que evita isso - e por que a mulheres com sua regra devem manter-se afastadas do culto. Ao suceder qualquer
das duas coisas ou ambas, seria um tabu e a cerimônia estaria quebrada, devendo conferir ao oráculo por alguma solução.

 Costuma-se oferecer-lhes preferencialmente as vísceras, pois se considera que é sua comida favorita, as que se preparam sempre depois de qualquer sacrifício para os Orisá de um modo especial e são apresentadas em pratos de barro forrados come EWE LARA (folha de mamona). Os etutus para IYAMI são conhecidos como Iyala e significa "que o mal desapareça". Se lhes oferece também, durante qualquer sacrifício, um eko (massa feita de farinha de milho branco) que serve para proteção, pois as acalma quando é despejado na terra, este representa o poder feminino, pois entre outros ingredientes leva: plumas - simbolizam muitos filhos e proteção; sangue - representa a menstruação e a vida.
Presume-se que a palavra Aje utilizada como "bruxa" prove da contração de IYA JE (a mãe que come) aludindo a seu voraz apetite, sempre atraída pelo cheiro a sangue e vísceras ela pode vir sob a forma de mosca, pássaro, gracioso ou inclusive outros animais.
(Autor desconhecido)
Texto integralmente retirado do estudo da minha querida irmã Eliane Haas.
 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

ENTENDENDO O ORÍ - TRANSFORMAÇÃO POR IFÁ

 
ENTENDENDO O ORÍ
Quando nascemos, o Orí (cabeça), é o primeiro Òrìsà que recebemos, nele trazemos as impressões que estão gravadas no inconsciente, a nossa orig...em no universo. Ligados a ele por nosso Elédà, (mente superior), e fonte da inteligência para a sobrevivência no Aiyé (Terra), e dele (Orí), geramos toda a força propulsora que nos conduz em nossa jornada não somente para a vida em si mas também na saúde, prosperidade e equilíbrio, o qual está diretamente ligado ao Òrum (Céu), portanto aquele que conhece o próprio destino, da mesma forma que nos conduzirá na passagem do mundo físico ao espiritual, Ikú (a morte).
Assim, Orí = origem do ser = Elédà ( mente superior), está ligado ao Òrum, e ao mesmo tempo ligado à Terra (Aiyé), sobrevivendo após a morte para transmutar a morte física para a vida do espírito, e desta forma guardando em sua memória as marcas de sua origem.
"O pensamento provoca a ação", "a ação provoca a reação", e todos os frutos colhidos serão a resposta de nossa conduta, de nosso equilíbrio tanto mental como emocional, e isto é ter bom Orí, que saudaremos Olorire, e para aqueles com um mau Orí diremos Olori Burúkú, aquele de cabeça ruim, fraca.
Olódùnmarè, nosso Deus maior nos deu a perfeição, deixando conosco a sabedoria transcendente, a qual somente poderá ser compreendida com um bom Orí, assim diz o Oríkì (reza), "Nada se faz sem um bom Orí," nem mesmo nosso corpo tem comando, não anda, não prospera, não tem alegrias, não tem saúde.
IFÁ EM NOSSA VIDA
Ifá, é a soma da sabedoria suprema, a cosmogenia e a cosmologia, a vida e a morte, o nascimento da natureza, a visão total do mundo e da existência estabelecendo normas éticas que irão comandar as sociedades e os homens, e assim determinando uma conduta nobre diante de todas as forças que se formam contra o bem da humanidade, a força que conduz a sustentação do planeta vivo.
Neste processo tão poderoso, aquele que for iniciado em seu Culto estará agregando a si uma permissão para obtenção de um poder muito maior perante Olódùnmarè, assim existindo a necessidade por parte dos Sacerdotes conhecedores plenos da extensão deste mesmo poder avaliarem o candidato com muita clareza e assim permitindo ou não esta iniciação.
Nem todos estão habilitados a carregarem em seu Orí, esta força que liga o ser com o sagrado. Seus Sacerdotes, apoiados nos conhecimentos milenares, carregados por uma cultura de tradições em botânica, mineralogia, zoologia conseguem unir os elementos da natureza à energia vital de cada indivíduo procurando o equilíbrio entre as forças espirituais e materiais de cada um, esta união da ciência com o mundo espiritual precisa de mentes sãs.
A CONDUTA DOS FILHOS DE IFÁ
Fica assim muito claro que para estes filhos a conduta é de suma importância, e que haverá a necessidade de muito domínio de suas emoções onde a humildade, a paciência, o caráter, a dignidade, a sabedoria, deveram ser superiores a qualquer tipo de vaidade, prepotência, arrogância, ambição, sendo estas últimas características que poderão ser usadas indevidamente a fim de obter proveito próprio, mas que sem dúvida serão cobradas pela lei universal de ação e reação.
Quando se fala que o Òrìsà castiga, é uma inverdade, pois na realidade a maior parte do sofrimento é fruto do desequilíbrio entre a emoção e a razão humanas, e conforme as atitudes tomadas perante seus semelhantes as forças que irão reagir em sua vida tanto poderão ser positivas como negativas, conquanto serão um fruto do seu bom ou mau Orí, a resposta daquilo que você é.
Em nosso mundo Ocidental achamos que o valor do homem está na obtenção somente de bens materiais, e para o consumo destas necessidades não se mede esforços nem os meios de alcançá-los, mesmo que muitas vezes as formas usadas sejam totalmente incompatíveis com as Leis Superiores. Não há respeito nem pela natureza, nem com seus semelhantes.
Na África, no entanto existe em seu povo a Consciência Plena dos compromissos que existem entre as forças da natureza e os homens, e que o verdadeiro bem não está em usar estes poderes de uma forma inconseqüente, explicando-se assim sua simples forma de vida, os verdadeiros valores do homem não estão em sua conta bancária, mas em seu Elédà, no uso da sabedoria adquirida não somente para o bem de si próprio mas para manter o equilíbrio do planeta.
A terra é a sustentação da vida, todo o mundo físico está sobre ela, carros, asfaltos, prédios, plantação ou qualquer outra coisa, isto tudo faz parte da ilusão do homem, sua maior riqueza está na natureza, sem ar ele não vive, sem terra ele não anda, sem fogo ele não tem progresso, e sem água ele não nasce.
O ser humano vive obcecado dentro de suas ilusões, por isto ele adoece, trapaceia, chora, e ri, deixando-se levar por valores que não são dele, mas da condição de uma sociedade, a sua origem pura está perdida em meio a tudo isto e o desequilíbrio se instala em seu Orí, gerando a inveja, a ansiedade, a impaciência, a depressão, ele é um ser desconectado de seu Eu interior (Elédà), sem isto não consegue ouvir sua própria consciência e chegar verdadeiramente a Deus.
Quanto mais nos aprofundamos conseguindo entender a grandeza da sabedoria divina, mais distantes estaremos das banalidades, uma vez que a riqueza já está codificada dentro de nossa alma, é uma força sutil que nossa sensibilidade grotesca não consegue perceber, e como resultado não temos paz, felicidade e prosperidade.
Antes de qualquer compromisso com Ifá, esta pessoa deve estar informada e preparada para assumir esta conduta.
A lealdade com o princípio Divino, estará acima de tudo.
A TRANSFORMAÇÃO DOS FILHOS INICIADOS EM IFÁ
No momento da iniciação o destino vivido por esta pessoa até então, estará sendo limpo, enterrado, dela serão tiradas todas as forças contrárias, e haverá uma mudança no trajeto até então vivenciado, fazendo com que seu Orí encontre o destino do momento de sua concepção, apagando as imperfeições conseqüentes de sua vida refletida pela sociedade onde nasceu, cresceu e vive para reencontrar a sua origem perfeita.
Mas para que esta força de fato venha adentrar em seu Orí e passe a fazer parte de sua existência estes novos filhos deverão procurar além de cumprir leis, entender, estudar o sentido desta filosofia para que a magia desta iniciação prevaleça neste Orí, sendo ela independente de seu Órìsà Guardião.
O aprendizado correto da forma de sua cultuação requer um grau elevado no domínio de seu comportamento já cheio de vícios de personalidade este é o verdadeiro Àse, o nascer novamente com a maturidade e a consciência adquirida e poder reformular sua vida de forma a satisfazer sua vida.
Aqui não pode haver a alimentação de sonhos que não fazem parte de seu destino, mas a leitura daquilo que você sempre foi, desde os primórdios e a busca de seu aprimoramento através das soluções apresentadas nos jogos divinatórios de Ifá. Assim em nada se parece a qualquer religião, associações ou fraternidades que existem, onde todos são tratados como massa independendo da inteligência, e onde seu Eu Interior não é respeitado.
Ifá, é um culto tradicional considerado a fonte de todas as outras formas de adoração, é um livro de orientação, um roteiro, que trata você como indivíduo único e através do qual receberá suas regras de conduta pessoais Ewos, (leis) de acordo com sua origem ancestral, leis estas que irão levá-lo a obtenção da realização de sua felicidade de acordo com sua própria história e missão.
 
Contribuição e Estudo de Ifá Talabí Solá Ojó Obá Omi Julio Fernandes

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

ORIKI ORUNMILA IFA


 

ORIKI ÒRÚNMÌLÁ-IFÁ

 
OLÓOJÓ ÒNÍ IFÁ, MO JÚBÀ RÈ.       
SENHOR E DONO DO DIA IFÁ, APRESENTO-VOS MEUS RESPEITOS.
OLÚ DÁYÉ, MO JÚBÀ RÈ.                                                                                     
SENHOR DA TERRA, APRESENTO-VOS MEUS RESPEITOS.
MO JÚBÀ OMODÉ,                                                                                                  
MEUS RESPEITOS AOS MAIS JOVENS.
MO JÚBÀ ÀGBÁ.                                                                                                       
MEUS RESPEITOS AOS MAIS VELHOS.
BÍ ÈKÒLÓ BÁ JÚBÀ ILÈ,                                                                                        
SE A MINHOCA VAI A TERRA RESPEITOSAMENTE,
ILÈ Ó L’ ÉNUN.                                                                                                           
A TERRA ABRE A BOCA ACEITANDO-A.
KÍ ÌBÁ MI SÉ.                                                                                                               
QUE A BÊNCÃO ME SEJA DADA.
MO JÚBÀ ÀWON ÀGBÀÀGBÀ MÉÉRÌNDÍNLÓGÚN.                                  
MEUS RESPEITOS AOS DEZESSEIS MAIS VELHOS. (ODÚ ÀGBÀ).
MO JÚBÀ BÀBÁ MI (ÒRÌSÀ RÈ...)                                                                      
MEUS RESPEITOS A MEU PAI SÒNGÓ
MO TUM JÚBÀ ÀWON ÌYÁ MI ELÉEYE.                                                        
MEUS RESPEITOS AS MINHAS MÃES SENHORAS DOS PÁSSAROS.
MO JÚBÀ ÒRÚNMÌLÁ, Ó GBÁAYÉ, O GBÓÒRUN.                                        
MEUS RESPEITOS A ORUNMILÁ, AQUELE QUE VIVE NA TERRA E VIVE NO CÉU.
ÒHUNTÍ MO BÁ WÍ LÓOJÓ ÒNÍ                                                                       
QUALQUER COISA QUE EU DIGA NO DIA DE HOJE,
KÍ Ó RÍ BÉÈ FÚN MI.                                                                                             
  QUE EU POSSA VÊ-LA ACONTECER PARA MIM.
E JÒWÓ, MÁJÉÒNÒN MI DÍÌ.                                                                      
POR FAVOR, NÃO PERMITA QUE MEUS CAMINHOS SE FECHEM.
NÍÌTORÍ YÌÍ ÒNÒN KÒ DÍ MÒN OJÓ.
ÒNÒN KÒ DÍ MÒN OÒGÙN.                                                                                 
OS CAMINHOS NÃO SE FECHAM PARA QUEM ENTENDE A MAGIA
ÒHUNTÍ A BÁ TI WÍ FÚN ÒGBÀ, L’ ÒGBÀ NGBÀ.                                      
QUALQUER COISA QUE EU DIGA PARA OGBÁ, QUE OGBÁ ACEITE
TI ÌLÁKÒSESÉ LÁÀWÙJO ÌGBÍN.                                                              
ILAKOSE TORNOU-SE O MAIS IMPORTANTE DA ASSEMBLÉIA DOS CARACOIS.
TI EKESE NI SÉ LÁÀWÙJO ÒWÚ.                                                                     
EKESE TORNOU-SE O MAIS IMPORTANTE NA ASSEMBLÉIA DO ALGODÃO.
OLÓOJÓ ÒNÍ KÍ Ó GBÀ ÒRÒ MI YÈWÒ,                                                       
SENHOR E DONO DO DIA, QUE VOCÊ ACEITE MINHAS PALAVRAS E VERIFIQUE
ÀSE!                                                                                                                                ÀSE!
 
Adupé ò
Orunmilá Ifá asé ò
Asé Orí, asé awo mi, asé egbé mi

 Ifá Korede Iyemi Songó Fe Mi Emerson Fernandes




 
 
 

quinta-feira, 8 de março de 2012

VIVA O SAGRADO FEMININO





Por Zartha Gan


A missão do homem na Terra é o de desbravar, explorando as possibilidades de sua existência no Planeta. O homem representa o início de tudo, o fogo sagrado, o espírito, uma vez que carrega em si o impulso criativo, a primeira faísca de vida... 

A missão da mulher é o de ensinar o Amor à humanidade, é o de servir como ventre para a Criação, a terra onde o homem poderá plantar suas sementes... A mulher é o grande seio da humanidade, que nutre, embala e acolhe... Sem ela, não há criação, pois a árvore não se faz por meio da semente, mas pelo encontro da semente com a terra que lhe nutre com os mistérios da vida, aquilo que está oculto e não é fálico, mas pertence às regiões sombrias de nosso ser, onde guardamos nossos maiores tesouros... 

A mulher é a fonte de toda a vida, o grande mar de nossa existência, a água sem a qual não é possível a vida. A mulher traz a infinitude, ao mesmo que tempo que representa a matéria (mater), a Grande Mãe (Gaia) que dá forma à Criação do Pai Celestial. 

Quando céu e terra se unem em nós, independentemente de nossas escolhas sexuais, a vida completa a sua missão que é a integração das polaridades. 

Hoje, em meio ao caos criado pela própria humanidade, vemos uma exacerbação da energia yang representada pelo masculino... conquistamos, exploramos, criamos, mas junto à criação também trouxemos a destruição... 

É hora de nos conectarmos com a energia feminina (ying) para redespertarmos em nós as qualidades capazes de transformar tudo que for diferente do amor em possibilidade de vida. É hora de nos unirmos à Grande Mãe a fim de cuidar do Planeta plantando não mais as sementes da discórdia, mas da compaixão, da leveza, da suavidade, da solidariedade, da generosidade, da misericórdia... 

Que as mulheres possam ser porta-vozes desta bela missão e que toda a humanidade possa reconhecer em si tais qualidades a fim de dar vida a uma nova humanidade, à altura do nome que carrega. 

Que o Pai Celestial possa encontrar a Mãe Universal para que a alma finalmente se case com o espírito e desta forma sejamos frutos do Grande Êxtase Divino! Despertemos o Amor em nós!! Feliz Dia das Mulheres!! ♥


Fonte: Gabriela Alves Toulier

CRIAÇÃO DO MUNDO SEGUNDO IFA - Parte 02


Por Ifá Talabi Sola Oju Oba Omi


Nunca devemos esquecer as recomendações que Orumilá costuma dar, para que as más influências não afetem nosso espírito com a desgraça. Porque ainda que tentemos nos esconder numa roupagem de santidade os maus pensamentos, o que ganhamos ou perdemos nos dá a realidade dos méritos adquiridos. Ainda que as entidades possam ajudar a prosperar, é importante tomar muito cuidado para que sua influência não absorva a pessoa por completo.
Por isto dizemos que, para resolver problemas nobres, trate Exu com respeito. Não faça pacto com as forças do mal para não cair em suas redes. Não imite os defeitos das entidades superiores, eles sofrem as calamidades da vida material, foram criados com propósitos diferentes e gozam da felicidade de seus planos celestiais. Se deixar crescer em você a maldade, corre o risco de, ao morrer, ter seu espírito afastado do conhecimento universal, convertendo-se em mais um instrumento das entidades malévolas.



Para criar a natureza mineral primitiva, desceram ao planeta, em grupos de sete, as divindades maiores misturadas com as entidades menores. Foram sete as vibrações fundamentais. Desceu Olokun para dar forma aos picos e aos oceanos, e Orishaoko para levantar as terras do fundo dos mares. Xangô criou a atmosfera e as nuvens com suas cargas elétricas. Ogum elaborou os minerais e esculpiu as montanhas. Yemanjá recortou as costas, atuando no equilíbrio terra-mar. Oxum deu lugar aos rios, aos mananciais e a todas as águas doces. Oroinha (Agayu) dominou os fogos centrais da esfera terrestre e manteve o controle dos vulcões.
Desceram, em seguida, outros grupos de entidades maiores que criaram as estações, segundo a posição do planeta, assim como a rotação da terra e da lua, dando origem aos mares, aos dias e às noites. Estas entidades utilizaram diversos elementos das rochas, das águas e do ar para criar os reinos animados, a partir da natureza morta. Os vegetais e os animais, seres que possuíam a capacidade de reprodução, modelaram, durante milênios, todas as suas variantes. Aos poucos, foram executando sua tarefa e eliminando uma forma de vida para construir outra mais complexa, dando origem à enorme diversidade que, atualmente, constitui estes reinos.
As divindades fizeram com que as plantas se prendessem ao solo, tornando-se fixas, e que os animais se movimentassem pelo ar, água e terra e utilizassem os vegetais como alimento. Os elementos ficaram constituídos como uma presença vital para estes reinos. Assim, a água permitiu a vida material, o ar contribuiu para o equilíbrio vegetal-animal e foi o veículo do hálito de OLOFIN; o fogo assumiu o papel de destruir e revigorar durante o processo de mudanças e OLORUN foi quem forneceu a energia vivificante.
Estas divindades ficaram a cargo do que haviam criado, se distribuindo, segundo suas características vibratórias, pelas múltiplas riquezas do planeta. Tudo isso foi testemunhado por IFÁ.



Dentro desse processo, desceram ao plano terrestre os três grandes benfeitores da Humanidade: ODUDUWA, IFÁ e OBATALÁ. O primeiro tomou parte da legião de espíritos, que se encontravam próximo, e os instruiu para a tarefa que teriam daí em diante. IFÁ modelou um corpo de muito pouca densidade, semelhante ao físico, que pertenceria a nova espécie, em fase de criação. Cada espírito, instruído por ODUDUWA, ocupou um dos corpos astrais elaborados por IFÁ; com essa morada semimaterial, começaram a vagar sobre a terra, como fantasmas.
Neste momento, OBATALÁ começou a elaborar um nova espécie , destinada a superar os outros animais. Para tanto, combinou os elementos evolutivos necessários, dando forma ao ser humano: duas pernas para sustentá-lo firmemente na posição vertical, própria de um rei; dois braços fortes para que pudesse dominar as outras espécies; um coração grande e forte dentro de um peito poderoso, capaz de proteger a força vital; uma cabeça em cima, com os melhores sentidos, para observar e perceber tudo à distância; um complexo mecanismo de nervos, músculos e fluidos, ficando, assim, consumada a obra do grande construtor do homem.



Terminada esta obra de OBATALÁ, ODUDUWA completou a criação, atribuindo um espírito com seu corpo astral a cada um daqueles reis de OBATALÁ. Estava criada a interação entre o físico e o espiritual, que os ajudou a despertar os sentidos e desenvolver o instinto. IFÁ, que ajudou a executar e testemunhou tão maravilhosa obra, transmitiu a ORUMILÁ a verdade dessas realizações, anotadas nos signos do livro sagrado, para que o conhecimento da criação humana chegasse até os dias de hoje.
Uma vez que o grupo dos espíritos ficou a cargo dos seres humanos e se iniciou a interação corpo-espírito, revelou-se a importância do periespírito criado por IFÁ, pois o espírito desprendido de OLOFIN, com sua imensa vibração, não podia manifestar-se diretamente no plano vibratório do homem animal. IFÁ já tinha resolvido esta contradição quando modelou um corpo astral com vibrações intermediárias, para ajudar na formação do novo ser.
Podemos afirmar, então, que, desde o princípio, o homem se formou com três corpos: o físico, o seu duplo astral e seu espírito, graças a vontade de OBATALÁ, de IFÁ e de ODUDUWA. Porém IFÁ, com sua sabedoria infinita e clarividência, preparou o corpo astral para diversas funções, que são explicadas em diferentes signos, de acordo com a instrução que ORUMILÁ recebeu de IFÁ. Por isso, o homem comum deve aprender os ensinamentos de ORUMILÁ para adquirir sabedoria e o ignorante não deve desprezar o que desconhece, para não aumentar sua ignorância.
Há que aprender sobre a evolução material, pois primeiro as vibrações de energia se acalmaram, tomando formas cada vez mais densas, até chegar à matéria. A quem interessar, este pode ser o ponto de partida para elevar, novamente, a vibração do pensamento e entrar em harmonia com o infinito.
Quando nasceu o duplo astral, ou periespírito, por iniciativa de IFÁ, resultado da união do corpo físico com o espírito que o domina, este teve, entre outras funções, a de permitir ao ser humano alimentar-se da energia vital de OLOFIN. Neste tempo não existia a morte, não se concebia que o criado tivesse um final, o que acontecia, também, com o periespírito. Porém, quando se estabeleceu a morte, pondo fim à vida do corpo físico, o duplo astral, com seus atributos tanto do espírito quanto do corpo material, continuou a existir, além deste último, por um tempo mais ou menos prolongado, de acordo com a influência de uma parte ou outra parte sobre ele. No homem espiritual, o periespírito morre prontamente, enquanto no homem apegado aos assuntos vulgares da vida terrena ele fica vagando pelos espaços escuros, ignorante de seu destino. Ele impede, então, que seu espírito faça a viagem a LIFÉ OORE, a morada onde descansará da missão cumprida, ainda que, mais cedo ou mais tarde, sempre fosse seguir este caminho.
Irmãos, quem tenha vidência para contemplar as formas invisíveis às pessoas comuns, aprenderá a distinguir entre o espírito de luz e as entidades malévolas. O mesmo pode acontecer com os duplos astrais que, sem objetivo determinado, vagam pelo espaço, pois não tendo os atributos físicos necessários, perderam a coerência do pensamento e, muitas vezes, servem de instrumento às entidades malévolas. Tudo isto é o que ORUMILÁ recebe por inspiração de IFÁ, ficando devidamente registrado no livro sagrado.
A irradiação espiritual se realiza enlaçando o corpo físico através de seu duplo astral. O espírito flutua toda a vida ao redor do corpo; esta é sua pequena morada, onde permanecerá um certo número de anos, lutando para lhe transmitir a mensagem do que não morre. Mas o homem comum não recebe muito dessa irradiação. Quando age de forma incorreta, uma voz que vem de dentro e que, geralmente, é chamada de voz da consciência – e que, na realidade, é o seu espírito vem lhe dar conselho. Afinal, quem melhor que a própria pessoa, elevando seu pensamento, para se aconselhar? Quem irá gostar mais de você do que você mesmo?
Por isto, homem comum, tenha a preocupação em se superar. Homem sábio, empregue sua inteligência na meditação sobre estes mistérios para que possa atingir a qualidade de santo. Continue subindo na hierarquia de IFÁ, pois as virtudes fortalecem o espírito constantemente, cobrindo o corpo com uma couraça astral, impenetrável aos maus pensamentos e a toda vibração negativa.
E se você conseguir somar às virtudes dos conhecimentos que ORUMILÁ lhe transmite, poderá conhecer a verdade muito antes da morte do corpo. Poderá compreender as experiências passadas para enfrentar o futuro com êxito. Não será torturado pelo medo e pela incerteza. Quando morrer, seu espírito, já livre de limitações, irá prestar contas diretamente ao poder do infinito.

Tudo isso é parte das lições que IFÁ, o benfeitor, ditou, milênios atrás, para os homens.


Fonte: Rafael Zamora Díaz Oni Shango, Oba Koin.
          Awo Orumilá, Ogunda Kete.

CRIAÇÃO DO MUNDO SEGUNDO IFA - Parte 01


Por Ifá Talabi Sola Oju Oba Omi 

No princípio do mundo, só existia OLOFIN e o nada. Somente ele e sua altíssima vibração. Não existia nem tempo nem espaço. Então, ele decidiu pôr em marcha o tempo, originando inúmeras vibrações, suaves, para tecer o Universo. OLOFIN soprou mais forte e, a partir das partículas de seu hálito, se formaram as estrelas e os planetas. OLOFIN emitiu finos assobios dos quais surgiram as diferentes divindades. Ele determinou que as coisas estivessem separadas umas das outras: adiante, atrás, em cima e embaixo, originando o espaço. OLOFIN fez com que tudo tivesse um passado, um presente e um futuro.
Como OLOFIN se sentiu só, criou, de si mesmo, diversas entidades para distribuí-las no espaço. A partir de diferentes vibrações, surgiram diferentes divindades, cada uma com sua própria característica. OLOFIN criou primeiro OLODUMARÉ, para que este dominasse os espaços, e OLORUN para que fornecesse a energia. Em seguida, OLOFIN criou ODUDUWA, OBATALÁ e IFÁ, que seriam os benfeitores da futura humanidade, e deu, a cada um, uma tarefa a ser cumprida. Finalmente, com seu olhar, criou pequenas vibrações individualizadas e manteve a emanação vital permanente.
Tantas foram as criações e realizações, que nos escapam ao conhecimento, mas estão registradas em sua potente memória. Ele deixou estabelecidas as leis dos movimentos, deu cores às vibrações por sua ordem, originando a luz. Estabeleceu o equilíbrio entre as coisas, a comparação e a separação entre elas. Fez com que a lua competisse com o sol pelo domínio das influências no planeta. Depois de ter criado tudo, OLOFIN voltou ao repouso, para usufruir da contemplação da aventura universal.
IFÁ nasceu de OLOFIN para benefício da raça humana. Fez o inventário de tudo que havia sido criado para organizar na escala de valores. Nesta escala, IFÁ colocou OLOFIN no degrau vigésimo primeiro e OLODUMARÉ e OLORUN no degrau décimo sétimo. Ele próprio ficou, junto com OBATALÁ e ODUDUWA, no degrau décimo sexto, porém ODUDUWA ficou a frente, governando a trilogia.
Continuando com a ordenação, IFÄ colocou as divindades maiores no degrau décimo segundo e as menores no oitavo. Também, determinou que os espíritos dos homens divinizados estariam no degrau sétimo e os homens físicos no quinto degrau. Os animais e as plantas ficaram no quarto e, por último, os seres inanimados no terceiro degrau da escala de valores.
IFÁ estabeleceu, no intervalo entre um degrau e outro, sete níveis de diferenciação. Posicionou, então, exatamente no meio deste espaço, o homem comum com suas virtudes e defeitos. Acima, pôs o homem sábio, aquele que aplica sua inteligência em alguma atividade na qual se sobressai dos demais. Um pouco mais acima, colocou a dimensão do homem santo, que aperfeiçoou seu espírito e colecionou virtudes. Acima de tudo, ficou o santo sábio, que resume os melhores atributos que pode possuir um homem. Do homem comum para baixo, IFÁ posicionou o ignorante teimoso, que debocha do que desconhece; um pouco mais abaixo o homem malvado, que possui as piores qualidades e sentimentos da espécie humana e, por fim, o malvado sábio, que, querendo ou não, fez pacto com as entidades malévolas, aplicando sua sabedoria na destruição.
IFÁ instituiu que o comportamento do homem lhe permite ascender ou cair do lugar em que se encontra na escala, pois do meio para cima cresce a influência das entidades nobres e, para baixo, o contrário. Se a pessoa é iniciada e tem bom senso, analisa todas as virtudes e defeitos que existem e os localiza na escala de IFÁ.
O melhor representante de IFÁ na terra é ORUMILA pois ele se nutriu do espírito de IFÁ. Por inspiração divina, construiu o primeiro opelê, a partir do casco de uma tartaruga, e conheceu os ingredientes necessários e adequados e o modo de torná-los sagrados para que o ajudassem no trabalho.
IFÁ herdou de SHANGÔ o tabuleiro talhado na madeira da árvore sagrada. Aprendeu com OSSAIM o segredo das plantas. Recebeu de OGUM as armas do sacrifício. Teve em ELEWARA seu melhor mensageiro e amigo. Conheceu as qualidades das pedras do rio, da mata e do cerrado. Adorou as mulheres porque estas o cuidavam.
ORUMILÁ conheceu, através de IFÁ, os segredos da criação. Ele joga seu opelê para escrever, segundo o signo, o segredo que se revela, elaborando, assim, o livro sagrado. Por isso, diz ORUMILÁ, que tudo se pergunta a IFÁ, pois ele sempre tem uma resposta para cada pergunta.
Há muitos milênios, os homens esqueceram as verdades transcendentais, sem saber que elas ficaram escritas, por fragmentos, no livro sagrado de IFÁ e que ninguém possui esta obra completa, lamentavelmente perdida no tempo. Os iniciados de diferentes lugares têm partes desta grande obra do mestre ORUMILÁ, que chegou aos nossos dias por tradição oral e que devem ser explicadas nos vários signos do oráculo, ainda desconhecidos.
Quando OLOFIN criou, de si mesmo, o grupo de divindades, surgiram, numa última emanação, várias vibrações individualizadas. Tinham a mesma essência do ser que as criou e todas, como ele, conheciam os segredos do Universo. Todas partiram do não-tempo e do não-espaço; o tempo e o espaço não afetavam sua natureza, eram imortais desde o princípio. Afinal, quem pode impor limites ao ilimitado? Quem questiona do grande construtor a sua obra? Isto é assim tanto para as pequenas individualidades quanto para as grandes entidades, todas criadas no Universo com propósitos bem definidos.
Temos, então, o olhar de seres espirituais que interagem com os planos mais densos da criação, que são protagonistas de fatos transcendentes e que vivem sua experiência material na terra. Tudo isso ficou registrado no livro sagrado de IFÁ para que sempre, no futuro, se tivesse conhecimento do passado.
Isto dá um idéia, por exemplo, da grande diferença que existe entre o ser humano e a besta. Essa recebe como herança os instintos e traz ,em sua memória, fragmentos da vida de seus antepassados; possui instintos apurados para enfrentar a natureza, sendo a agilidade ou a força seus atributos principais e com a morte encerra o seu eu individual. Já no ser humano os instintos são mais débeis; esquece suas vidas passadas, a inteligência é o seu principal dote e, ao morrer, sua mente se soma ao infinito, onde o espírito recobra o conhecimento universal.
No princípio, os espíritos se expandiram pelo espaço, vagando sem um destino determinado; não tinham uma tarefa imediata para cumprir no programa cósmico. Foi OLODUMARÉ quem traçou um plano para que se reagrupassem perto da terra, sem ultrapassar a Lua, ficando nessa região do espaço. Foram, desta forma, testemunhas do trabalho dos construtores celestes, quando desceram as divindades maiores, em grupos de sete, cada grupo acompanhado de um séquito de entidades menores, distribuídas pelo planeta.
Os espíritos observaram as evoluções da esfera terrestre, onde se originou a natureza primitiva. Tudo isso ORUMILÁ, inspirado em IFÁ, deixou registrado nos diferentes signos do livro sagrado, para honra do grande benfeitor e de seu pai OLOFIN. Assim, por um tempo indefinido, vagaram estes espíritos sobre a terra, perguntando-se o que os mantinha ali, pois não possuíam os atributos necessários para efetuar qualquer mudança, nem a energia de suas vibrações afetava o que se denominava matéria. Isto porque a escala de IFÁ, também, determinou limites do poder, o que era nítido para toda a criação.


Ainda nos dias de hoje, os espíritos dos mortos vão para LIFÉ OORE, mundo dos mortos, onde recuperam seu conhecimento universal enriquecido com a experiência vivida. Quem visita, por um instante, esse lugar e retorna, em seguida, à vida terrestre, em geral, não encontra palavras para traduzir a grandeza do infinito.
De Lifé Oore descem os espíritos de luz a cumprir diversas missões na terra, e não devem ser confundidos com aqueles outros, escravos das entidades malévolas.
Olofin criou o universo no espaço e no tempo, e junto com ele as luzes que mantêm o equilíbrio, estabelecendo dois extremos: para a direita, se encontram as forças nobres, as que lutam pela harmonia; no lado oposto, estão as forças contrárias. Permitiu que as forças do bem inclinassem ligeiramente a seu favor a balança, sempre com o perigo de perder a vantagem, já que o mal rodeia o bem.
Ifá transmite ao homem sua sabedoria e lhe diz que, do degrau décimo segundo para baixo, todas as divindades e seres da criação podem ser influenciados por uma ou outra força, já que os mais nobres ou generosos têm suas poções e vinganças, e os muito malvados podem abrir o caminho da prosperidade.
Tudo depende do conhecimento que se tenha dos distintos caminhos e do livre arbítrio no cumprimento dos conselhos de Ifá.


Fonte: Rafael Zamora Díaz Oni Shango, Oba Koin.
          Awo Orumilá, Ogunda Kete.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Tambor - Breve Síntese - Origem e Religiosidade



                                             Por Ifá Korede Emerson Fernandes

Origem

Tambores são tão ancestrais quanto o próprio homem. Os primeiros foram criados e manuseados ainda na Pré – História, com o objetivo de cultuar Deuses e como forma de agradecer a comida conseguida por meio da caça aos animais.

Milênios se passaram e centenas de representações religiosas ou espirituais foram criadas de acordo com a cultura e a cosmovisão de cada povo, de cada etnia, principalmente de acordo com os padrões sócio – econômicos de cada época. Imagens, cerimônias, mitologia, liturgias, símbolos, tambores, chocalhos e atabaques, são expressões da arte na religiosidade e na espiritualidade.

O homem pré – histórico acreditava que a pele de sua caça esticada em troncos de arvores reproduzia o choro do animal morto. E foi com esse sentimento de gratidão que passou a consagrar a morte de sua caça. Pode – se dizer que esse foi um dos princípios da manifestação religiosa do homem e a origem dos tambores. O toque do tambor revela a arte de conectar – se com a Mãe Terra e com nosso eu interior, sintonizando nosso coração ao coração dela, e de viajar ao mundo do invisível, constatando nossa ancestralidade e todos os reinos da Natureza.



Os tambores são utilizados desde as mais remotas eras da humanidade. Acredita – se que os primeiros tambores fossem troncos ocos de arvores tocados com as mãos ou galhos. Posteriormente, quando o homem aprendeu a caçar e as peles de animais passaram a ser utilizadas na fabricação de roupas e outros objetos, percebeu – se que ao esticar uma pele sobre o tronco, o som produzido era mais poderoso. Pela simplicidade de construção e execução, tipos diferentes de tambores existem em praticamente todas as civilizações conhecidas. A variedade de formatos, tamanhos e elementos decorativos dependem dos materiais encontrados em cada região e dizem muito sobre a cultura que os produziu. São típicos nos cultos afro – brasileiros; na dança, nos pontos cantados, no transe.
Em sua fase mais primitiva, a manifestação religiosa do homem tinha como base principal o contato com as divindades – o transe.

A musica e a dança sempre foram os principais feradores dessa comunicação com os Deuses. Alguns historiadores e antropólogos do século vinte destacaram a idéia de que a maneira utilizada para se chegar aos conhecimentos místicos em religiões primitivas, esteve sempre associada ao êxtase ( o transe ) provocado pelo toque do tambor. Esse instrumento seria então o responsável pela comunicação entre o homem e as divindades – seres responsáveis pelo comando da Natureza em nosso planeta.

Mesmo nas religiões mais antigas, o toque dos tambores também foi utilizado não somente para o culto às divindades, mas também como forma de manter contato com os espíritos dos mortos.

Tão comum nas religiões primitivas, segundo a Bíblia, essa pratica foi “proibida por Deus” aos filhos de Israel. Isso acabou por gerar, ao passar do séculos, que a crença dos mais antigos – o fato do tambor constituir – se em instrumento sagrado, e que seu toque fosse utilizado como forma de contato entre os homens e o mundo invisível, pertencente às divindades e aos espíritos dos ancestrais, fosse uma simples superstição.

Por que o tambor foi excluído em narrativas da Bíblia com relação às cerimônias religiosas.
Foi proibido ao povo de Israel tudo aquilo que era praticado anteriormente à revelação das leis, como o uso de bebida forte, o adultério, a utilização de escravos, entre outras praticas. O tambor e as danças eram utilizados em cerimônias festivas. Mas, segundo relatos da Bíblia, quando Davi decidiu erguer um templo para Deus. Este determinou quais instrumentos poderiam ser utilizados: címbalo ( dois meios globos de metal, percutidos um contra o outro ), alaúde ( antigo instrumento de cordas de origem oriental ) e harpa.

Apesar disso, Deus não proibiu a utilização do tambor em outras cerimônias e celebrações.

Há uma outra explicação de religiosos que, de certa forma não aceitam e até discriminam a utilização de tambores em cultos religiosos, a de que o som da percussão teria a capacidade de tirar do homem a consciência e o juízo, portanto, esse instrumento deveria estar fora do culto, que necessita da “lucidez da mente” para o conhecimento de Deus e de sua vontade revelada.


Os Tambores na África
Nas sociedades africanas, a tradição oral é o método pelo qual histórias e crenças religiosas são passadas de geração em geração, transmitindo elementos de uma cultura. Uma parte integrante da tradição oral africana é, sem duvida, a dança e o canto, e o mais importante instrumento musical africano é o tambor, em diferentes tamanhos e formas e para diferentes fins.

O tambor é utilizado para enviar e receber mensagens espirituais, e é essencial na preservação da tradição oral. Na religião africana de culto aos Orixás e Ancestrais, é considerado sagrado, e seu tocador é classificado como um comunicador oral. Aquele que toca o tambor é um orador e um comunicador de mensagens sagradas.

No ritual religioso, os tambores são o inicio de tudo, sempre representaram papel muito importante na cultura africana. Existe um antigo provérbio que diz: ” Quando os tambores são tocados, eles não mentem “.

O ‘ Djembe ‘ é possivelmente o mais influente e a base de todos os outros tambores africanos, e remota há pelo menos 500 anos d.C. é um tambor sagrado utilizado em cerimônias de cura, rituais de passagem, culto aos ancestrais e ainda em danças e socialmente.

Os Tambores Batá

A origem dos tambores Bata remonta há mais de 500 anos, e sua história sobreviveu juntamente com o povo Yorubá, que chegou à América como escravo, mostrando a profundidade dessa religião e cultura, das quais é parte importante. O tambor Bata faz parte da prática religiosa chamada de “Santeria”, desenvolvida em Cuba e nos EUA, com influencia principal da religião tradicional Yorubá, mas também de outros grupos étnicos, como os de língua Bantu, da região do Congo.

Os tambores Bata podem falar, e não no sentido metafórico, podem realmente ser usados para recitar preces religiosas, poesias, saudações e louvores. Em Cuba, são utilizados em todas as cerimônias relacionadas ao Orixás, e recebem o nome de ‘ Bata de Fundamento’. Sua fabricação e consagração requerem toda uma força espiritual, que é inserida dentro de seu cilindro de madeira. Ao ser consagrado, recebe o nome de ‘ Ayàn ‘.



Tambores em rituais Indígenas Brasileiros

Um dos mais importantes instrumentos sonoros das culturas indígenas do Brasil, por se relacionar com o lado pratico, musical e religioso, é o tambor. Existem os tambores de madeira, tambores de tábua, tambores de tronco escavado, feitos e moldados a fogo.
Alguns tipos de tambores indígenas:
a.. Tambor Catuquinaru: Instrumento de sinalização.
b.. Tambor de Fenda: Feito de uma tora de madeira e escavado por meio de pedras incandescentes.
c.. Tambor de Carapaça: Feito de Carapaça de tartaruga.
d.. Tambor de Cerâmica: Consiste num vaso de barro, tendo abertura fechada com couro. É um velho elemento de civilização, talvez representando um dos mais antigos tambores do mundo.
e.. Tambor de Pele: Confeccionado com um cilindro de madeira, geralmente fechado de um lado só. A fixação da pela é feita com cipós, por meio de compressão.
Há muitos templos de Umbanda que * Os tambores feitos de tora de madeira tanto existem nas tribos brasileiras, quanto entre populações da África e Oceania. Também os tambores de cerâmica podem ser encontrados na África.

A Orquestra do Candomblé
A orquestra do Candomblé é constituída por atabaques, agogôs, cabaças e chocalhos. Os atabaques são três, em tamanhos diferentes: Rum (maior), Rumpi (médio) e Lê (menor). Existe também o Agbé ou piano de cuia, o Adjá e o Xeré, este último só é usado em festas para Xangô. Os tocadores tem um chefe denominado de Alabê. Os atabaques são considerados essenciais para invocação dos Deuses.



Utilização dos Atabaques na Umbanda
Não se utilizam de atabaques em seus cultos. Se voltarmos ao inicio, quando a Umbanda foi anunciada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, não havia a utilização de tambores, apenas cânticos. O ritmo era mantido com o bater compassado dos pés no chão.

Atualmente, a explicação para muitos temploes manterem essa formação sem tambores nos rituais de Umbanda é a de que os atabaques e o seu som percutido levam o médium a um processo de transe anímico, ou seja, estimulam o atavismo, a lembrança ancestral, o afloramento do subconsciente do médium, o que pode dificultar a atuação das Entidades Espirituais. Até mesmo as palmas, em muitos locais são dispensadas.

Os atabaques utilizados nos templos de Umbanda servem como ponto de ligação e louvação aos Orixás e Guias de Umbanda. Dão ritmo aos cânticos e criam fortes vibrações para a chamada e descida das Entidades que estarão ali trabalhando. Da mesma forma, são utilizados no acompanhamento rítmico das cantigas de ” subida “, ao termino das sessões.

Há todo um preparo e consagração desses tambores para que sejam utilizados no rituais umbandistas, igualmente aos Ogans e Alabês, responsáveis pelos toques. O uso dos atabaques surgiu na Umbanda, acredita – se, por influencia dos cultos de origem africana, em especial o de origem Bantu ( Angola ), em que os tambores são percutidos com as mãos, diferentemente dos Candomblés de Nação Keto, que utilizam varetas, chamadas de ” Akidavis “.

Após a anunciação da Umbanda, a fundação da Tenda Nossa Senhora da Piedade e todas as outras determinadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, houve um período em que alguns lideres religiosos e intelectuais foram a África no intuito de pesquisar as origens da ancestralidade africana da Umbanda, em contraponto à chamada Umbanda Esotérica, que identificava as origens da Umbanda em antigas culturas orientais. Trouxeram para a Umbanda praticas utilizadas apenas em cultos de origem africana, como o toque dos atabaques.

A Formação da Corimba de Umbanda

A chamada ” Corimba ” é formada pelos Ogans, responsáveis pelos toques que chamarão e receberão as Entidades em Terra, que irão trabalhar na Gira de Umbanda, e pelos cantores, que puxam os pontos cantados – cânticos de descida e subida. É o conjunto musical da Umbanda, responsável pelo inicio e término dos trabalhos.

É pelo toque dos atabaques que se faz a conexão com o Mundo Espiritual, permitindo assim que os Guias realizem seus trabalhos nos templos de Umbanda, por meio dos médiuns ali presentes.



O Poder dos Tambores Indígenas

Na cultura dos índios americanos, os tambores são objetos sagrados, usados pelo Xamã ( líder espiritual ) na cerimônias de cura. Também servem para proteger o ambiente.

De acordo com os princípios do Xamanismo, cada pessoa tem um bicho de poder que o acompanha por toda a vida. Para descobrir qual é o animal de cada um, é feita uma jornada xamânica em que a pessoa relaxa ao som do tambor e visualiza a imagem do bicho. Feita a descoberta, o animal é então pintado no tambor.

Os nativos norte – americanos associam o toque do tambor às batidas do coração da Mãe – Terra e também ao som do útero. O tambor dá acesso à força vital através de seu ritmo. É a canoa que leva ao mundo espiritual, o instrumento que faz a comunicação entre o Céu e a Terra. É usado para ativar e curar o nosso espírito, alinhando – se com a vibração do nosso coração e com a Mãe Terra. Cada tambor tem seu próprio som, sem igual. Usado em cerimônias, danças, canções e para celebrar.


Os Tambores Xamânicos
Os tambores xamânicos existem há pelo menos 40 mil anos em todas as cultuar tradicionais do planeta. Está associado à direção Sul, ao arquétipo do Curador, ao elemento Terra, às criaturas de Quatro Patas e com a qualidade da Cura. É utilizado para produzir diversos tipos de ritmos com finalidades diferenciadas, desde a musica para a celebração e a dança até o toque constante, que leva ao transe profundo ou ao frenesi coletivo.



Muitos Xamãs usam seu tambor para realizar diversos tipos de cura, como o resgate de uma alma perdida ou sair viajando por outras dimensões do ser em busca de visões e conhecimento. Durante as experiências são comuns as visões de Animais de Poder, Aliados Espirituais, ou outras visões de poder ou de cura.

O som do tambor facilita a conexão de qualquer pessoa com o seu mundo interior e com todos os ritmos de seu corpo, produzindo um estado de relaxamento, de equilíbrio e ampliação de consciência, proporcionando assim uma conexão e harmonização com os ritmos planetários e cósmicos.

Para os que praticam os Rituais Xamânicos – religião oriunda de povos asiáticos e árticos, pratica filosófica e de cura encontrada no mundo todo – , as batidas do tambor são como as batidas do coração da Mãe Terra.

O tambor representa a própria cultura xamânica, unificando – a e aproximando as comunidades. Costuma ser utilizado em diferentes ocasiões, como casamentos e funerais, e em todas as reuniões dos povos nativos, criando uma aura energética que possibilita a conexão com o Mundo Espiritual. Também são utilizados por curandeiros, em rituais de cura.

Fonte: Revista Espiritual de Umbanda