Eyele

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Ifá Espirito Santo Liberdade

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ORÍ – A LUZ DIVINA QUE NOS HABITA



1ª. Parte: O Poder do Orí


Por Eliane Haas


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Enquanto as religiões ocidentais do ramo judaico-cristão fundamentam sua fé em rogos e promessas a Deus e santos / entidades à fim de obterem proteção e a satisfação de seus desejos, Ifá - talvez a religião mais antiga da Terra, já que a ciência concluiu que o homo sapiens teria surgido na África - baseia-se numa concepção praticada hoje pela moderna psicologia.

Atualmente os livros de auto-ajuda fundamentam-se na premissa de que assim como o sucesso é o resultado de uma soma de pensamentos positivos, assim como escolhas acertadas e disciplinadas durante um longo período de tempo, o fracasso é o resultado inevitável de um acúmulo de pensamentos e escolhas inadequadas que fizemos.

Um casamento mal sucedido, a falência de uma empresa, problemas no trabalho, a doença que se "faz" - nada ocorre repentinamente ou é fruto de uma eventual má sorte. Lògicamente existem predisposições e pré requisitos, mas o fator livre-arbítrio é relevante, inclusive perante o desafio de avaliarmos com lucidez nossos limites, medos, inseguranças e conseqüências a longo prazo.

Segundo os ensinamentos de Ifá, nenhuma Divindade ou entidade externa apóia mais o ser humano do que o seu "Orí", ou seja, a sua própria mente. As rezas ao Orí dizem que "nosso Orí sobreviverá com o seu próprio axé (energia). Tudo o que queremos para a nossa vida, é ao Orí que devemos pedir, pois ele é o criador de tudo na nossa vida. É quem faz tudo acontecer e pode mudar o nosso destino.

Ori é tão soberano e seu livre-arbítrio tão sagrado que até os Orixás - energias divinas que propiciam a nossa existência em matéria - não interferem, se esta não for a sua real vontade. Ori está, portanto, acima dos Orixás e nenhum deles, nem mesmo Olodumare ( Deus Supremo Universal ) atenderá um pedido do ser humano que não tenha sido autorizado pelo seu Ori. Aqui vemos claramente o conflito entre o consciente e o inconsciente.

Como os ensinamentos de Ifá são totalmente baseados na sua literatura, conta o mito que:

Orixás e Ancestrais se rebelaram, querendo obter os poderes e a sabedoria de Olodunmare. Como mensageiro desta reivindicação nomearam Exu, que as transmitiu a Olodunmare. Este lhes enviou um obi (noz de cola, portadora da Vida) e, Orixás e Ancestrais deveriam tentar parti-lo para provar o seu poder. Ori era apenas uma pequena bola, sem corpo para se apoiar e ninguém o respeitava. Para conseguir partir o obi, procurou Orunmilá, Pai do segredo de Ifá, que o aconselhou a fazer uma oferenda para os Odus (caminhos do Destino), à fim de obter a força de cada um deles. Além disso, deveria espojar-se na terra. No dia seguinte todos tentaram, sem sucesso, partir o obi. Quando Orí se apresentou, como última opção, deixaram-no tentar. Com seu peso, caiu sobre o obi, que se partiu. Todos ficaram muito felizes. Olodunmare, ao receber a notícia, imediatamente enviou uma linda almofada, onde Orí se instalou. Dessa forma, Orí ganhou um corpo para sustentá-lo. À partir deste momento, Orí nasceu. Passou a ser dotado de Iwa - a existência - concedida por Olodunmare, como prêmio por ter sido o único a conseguir partir o fruto-ventre.

Com o advento de uma Era que revela "tudo o que estava oculto", a profundidade e a sabedoria dos ensinamentos de Ifá - à luz da psicologia e da física - surpreendem a todos, obrigando a uma revisão de valores, principalmente junto àqueles que classificavam a espiritualidade e práticas religiosas das etnias negras como supersticiosas e atrasadas.


2ª. Parte: Orí, a divindade do homem – O segredo revelado

 

Por Ifá Korede Emerson Fernandes

 
Ajalá recebeu de Olodunmare a incumbência de modelar o Orí, a cabeça dos seres humanos. Sempre que alguém está para reencarnar, vai até Ajalá escolher uma cabeça.
Juntamente com o Orí, a pessoa estará também aceitando o seu Odú, determinado por Orunmilá, só então, será acolhida pelo seu Orisá. Tanto o Odu como o Orisá só podem ser desvendados através do oráculo, Ifá.

O local de onde Ajalá retira a massa para modelar o Orí é chamado ipori e aí se encontra a herança genética de cada um, em especial do pai e da mãe. Assim, tendo Orí em si um componente de ancestralidade, as pessoas devem, também, venerar os seus antepassados, culto a Egungun.

Sobre a filosofia de Orunmilá-Ifá acredita-se que o homem é constituído dos seguintes elementos:

 

ð  Ara – Corpo Físico – é considerado a morada da consciência de Deus, no homem.  É a materialização do espírito no mundo.

ð  Òjìji – Sombra – é aquela que nos acompanha. Uns crêem, sem função alguma, outros que o espírito humano reside na própria sombra e a vêem como representação plasmática do espírito ou fantasma humano.

ð  Okàn – Alma, espírito, coração ou consciência – é entendida como aquela que possuí a função de alimentar a ação, o pensamento e a inteligência do homem.

ð  Èmí – Vida ou Respiração – reside nos pulmões, está associada ao espírito e a força vital que nos permite ações e movimentos; Èsù bara – Esu do corpo, por um determinado período, pois quando se esvai, o homem morre. Èmí é vista como o agente principal dos processos de Criação de todas as formas de vida do Universo e representa a continuidade através das mortes, dos nascimentos e renascimentos.

ð  Orí – Cabeça – é entendida como principal divindade do homem (Òrisá).  Forte e poderosa, nos acompanha durante toda existência, ajudando-nos e acompanhando-nos desde o nascimento até o dia da morte.  Traçando ou definindo o destino, pode facilitar ou complicar a realização dos nossos desejos.

 
Orí se subdivide em duas partes:
1.    Orí Odè – A cabeça física - é o crânio humano, onde está o cérebro, esta é a responsável pela organização dos pensamentos e controle das outras partes do corpo; consciente ou inconsciente; É uma guardiã atenta mesmo quando o indivíduo se encontra em estado de inconsciência, dormindo por exemplo. Conclui-se daí que o ser humano depende de sua cabeça para representá-lo dentro do macro-cosmo, pois os sonhos, “as vezes”, aparecem como avisos de sua Alma Guardiã no céu.
2.    Orí Inú - cabeça Interna ou espiritual – é a mais complexa, por conter as partículas Divinas deixadas dentro do homem e representar a origem ancestral da humanidade e não as origens de um indivíduo em particular; guardadas aí estão todas as informações sobre a Criação do homem.
2.1. APARÍ-INÚ - Parte interna da cabeça, é a Partícula Divina deixada no homem e aparece para possibilitar a ligação do Ser Criado com o Criador, Olódùnmarè, e com sua Mãe, pois Apári-Inú é o umbigo. Esta é a parte da Orí, cabeça, responsável pela formação do caráter do homem e, ao mesmo tempo, aparece como opositora deste mesmo caráter – apresentado como individual – para delimitar o livre-arbítrio e forçar o sujeito a usufruir dos seus erros e acertos e conquistar seu próprio espaço. Pois, o indivíduo pode nascer para o mundo com uma boa Orí, cabeça, porém, se o caráter não for compatível, o comportamento ruim pode estragar o destino.  Entretanto, quando há dificuldades que não forem causadas pela falta de bom comportamento da pessoa ou porque tenha sido influenciada por outra pessoa de caráter ruim a se comportar mal, isso pode ser mudado com alguns rituais, por não fazer parte do seu destino – as dificuldades aqui foram causadas.
2.2. ORÍ-ÀPÉRÉ – Cabeça Padrão – é a divindade interna do ser humano que descreve o padrão de sua individualidade e da sua responsabilidade no cumprimento do seu destino
             O ORÍ-ÀPÉRÉ Se divide em duas partes:
2.2.1.   ÀKÚNÈYÀN - é a parte da cabeça que, ajoelhados diante de Olórun, pegamos no Céu.  É uma parte do destino escolhido – livre-arbítrio – pela Alma Guardiã Ancestral na casa de Àjàlá, Oleiro do Céu, na ocasião que está se preparando para reencarnar na Terra, e define – o tempo de vida, as conquistas almejadas e a qual família terrena irá pertencer.  Ajoelhada diante Olórun, a esta Alma é oferecida a oportunidade de escolher o próprio destino. 
O destino determina se a pessoa será rica, feliz, gentil, sábia, popular, ou se pobre, impopular, desumana, extravagante, etc. Fixa o número de filhos e a ocupação que deve ter.
Se a pessoa aprende com rapidez um ofício ou executa uma tarefa melhor que o seu professor, todo mundo diz que suas habilidades provêm de Olórun como parte do destino que recebeu.  Do mesmo modo, se a pessoa é lerda e tem dificuldades para aprender um ofício, também dirão – provém de Olórun e que suas aflições não podem ser rastreadas, pois não há qualquer agente maligno.
Ninguém pode mudar o destino escolhido no Céu.  Entretanto, pode preservá-lo mediante atos de oferecimento aos Ancestrais Guardiões, Orí Ìpònrí, e a sua divindade pessoal, Orisá.  Também pode prejudicá-lo, quebrando os tabus, ewó, estabelecidos ou mediante a aplicação de medicinas negativas, õgùn, e feitiçaria, ofò ibi.
O papel do Oráculo de Ifá é somente o de aconselhar o indivíduo sobre aquilo que deverá fazer para que o seu destino não seja tão ruim quanto pode, diante das ações dos maldosos ou por negligência dele mesmo.  Pois, fazendo oferendas para a própria cabeça, assegurará todas as bênçãos a que fizer jus, mesmo que a pessoa não possua uma cabeça tão boa.
Ifá diz – “O destino pode ser modificado – quando há interferência – o caráter não pode ser modificado”. Pois, estabelecido como roteiro para a vida, pode trazer muitas bênçãos se seguido a fim de consumá-lo.  Bastando viver de modo a completar o período de vida previsto, oferecer orações, sacrifícios apropriados,  empregar medicinas protetoras e comportar-se corretamente em todos os sentidos – mais ninguém consegue tudo isso! É um jogo duro no qual a disputa com Deus e Deuses, o homem tenta igualar o comportamento de ambos num mundo onde não há anjos.
 
2.2.2.   ÀYANMÒ – Destino – apesar de ser o destino em si, é a parte da Orí, cabeça que não aceita rituais curativos ou preventivos.  Não aceita qualquer mudança.  É responsável pelo caráter interno e externo: sexo, aparência, pai, mãe, Karma, etc. As oferendas não mudam isso.

Bibliografias consultadas:
As Religiões Africanas no Brasil - Roger Bastide
Orí, A Divindade do Homem - O Segredo Revelado - Orlando J. Santos

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

ORUNMILÁ- IFÁ, A DIVINDADE ORACULAR DOS YORUBAS

Por Ifá Korede Emerson Fernandes

A Religião Tradicional Yorubá, originária da Nigéria, Togo e República do Benin (África Ocidental), uma das raízes do Candomblé, da Umbanda e de outras práticas religiosas brasileiras, tem seu panteão de divindades constituído pelos Orixás e regido por Eledunmare, o Ser Supremo. Seu riquíssimo corpus literário, oralmente transmitido através das gerações, compõe um corpo teológico denso e coerente, mantido invisível em alguns países da diáspora, e uma liturgia bastante complexa.
 
Orunmilá, ou Ifá, a divindade oracular dos Yorubás, é respeitado por sua sabedoria. A palavra Orunmila, formada da contração de orun-l'o-mo-a-tila, “Somente o Céu conhece os meios de libertação”, resulta também da contração de orun-moola, “Somente o céu pode libertar”. A palavra Ifá tem por raiz fa, que significa “acumula”, “abraçar”, “conter”, indicando que todo o conhecimento tradicional Iorubá acha-se contido no Corpus Literário de Ifá, o Odu Corpus, conjunto de conhecimentos esotéricos e registros históricos dessa milenar tradição.

Eleri-ipin, testemunha (ou defensor) do destino humano, Ifá presencia o nascimento de todos os seres. Somente ele conhece o ipin ori, destino do ori (Essência Divina), e pode sondar o futuro e orientar quem o procura. Por isso é consultado nos momentos críticos da existência.

A palavra Orunmilá designa a divindade, enquanto a palavra Ifá designa, simultaneamente, a divindade e o sistema divinatório a ela associado. Para orientar os que o procuram, o sacerdote de Ifá, chamado Babalawo, pai do segredo, reporta-se ao Odu Corpus que, além de preservar a história dos Orixás, preserva também ensinamentos sobre curas com recursos naturais, razão pela qual deve conhecer, além da prática divinatória, o preparo de remédios.

ORUNMILÁ, PAI DO ORÁCULO SAGRADO
Por Eliane Haas

Orunmilá é o Orixá Senhor da sabedoria (ogbon) e do conhecimento (imo), que tendo adquirido o direito de viver entre o orun (o além) e o aiyê (o mundo material) , tudo sabe e tudo vê na totalidade dos mundos. Por isso recebeu o título de gbaiye gborun : aquele que vive tanto no céu como na terra, transcendendo espaço e tempo.
Como testemunha da criação universal é chamado também de elerii ipin e detém o conhecimento do passado, presente e futuro do destino de todos os habitantes do aiyê e do orun em todas as dimensões cósmicas.

Na Terra, Orunmilá é quem apresenta o destino ao reencarnante por ocasião da sua concepção (kadara) e, mediante aceitação pelo livre arbítrio individual, libera o indivíduo para o ( re-) nascimento. Conhece todos os destinos e como propiciar o sucesso em todos os âmbitos, alem de revelar o Orixá pessoal de cada um, ou seja, a substância da qual cada um foi extraído na atual existência e como integrar o indivíduo a este princípio Divino.
Como a religião yorubá é totalmente baseada em mitos (itan) que constituem a literatura de Ifá, conta-se que,
" após permanecer na Terra por algum tempo, Orunmilá retornou ao orun, esticando uma longa corda pela qual ascendeu. Os seres humanos ficaram totalmente desorientados. O caos, a fome e a peste imperaram na Terra, já que ele era o porta-voz da vontade de Olodumare - a Suprema Divindade Universal. O ciclo de fertilidade das plantas e animais foi interrompido, trazendo ameaça de extinção. O clamor pela sua volta não foi atendido, mas deixou com seus filhos os 16 ikin (coquinhos de dendezeiro) , que se transformaram num importante instrumento de adivinhação denominado "ikin". Entregou os ikin instruindo que sempre que desejassem as coisas boas e realizações positivas na vida, deveriam consultar os coquinhos. Daí nasceu o sistema oracular denominado Ifá, que auxilia o ser humano na resolução dos seus problemas cotidianos, nos conflitos e nas dúvidas existenciais, como mediador entre o humano e o divino. Assim, Orunmilá é considerado o Pai do Oráculo."
Uma modalidade oracular mais simples é o ibo e a mais popular das três é o opele ifa. Apenas sacerdotes iniciados no culto de Orunmilá - os Babalawos – são credenciados para utilizar esses oráculos.
Os oráculos são baseados no sistema binário e comportam 256 combinações matemáticas que definem os caminhos de Odu, com seus milhares de itan (mitos) e owe (parábolas). Sua missão foi organizar as relações humanas, ajudar na doença, orientar nas contendas de todo tipo de assunto, valendo-se para isto dos itan relatados pelos Odu.
Todo o corpo filosófico da religião yoruba se resume nesses signos de Ifá – os Odu , que por sua vez se subdividem em caminhos com os respectivos itan, que são mitos de instrução, orientação e aconselhamento.
O nome de Orunmilá e o do sistema oracular opelê ifá muitas vezes se confundem e o culto a Orunmilá passou a ser conhecido como Ifá. Já o oráculo merindilogun – o popular jogo de búzios – mediante interferência do Orixá Exu, pertence a Oxun e pode ser consultado por sacerdotisas. No jogo de búzios utilizam-se 16 kawri (búzios) no qual respondem os 16 odu principais, num total de 70 caminhos e os orixás que respondem através deles. Independente da modalidade utilizada, para cada caminho há um itan a ser interpretado.
Na tradição religiosa Yorubá, nada se empreende sem prévia consulta ao oráculo e todo procedimento ritualístico dele depende. Conforme informado anteriormente, o oráculo é a única opção autorizada e confiável quanto à definição do Orixá pessoal, responsável pela cabeça do ser humano.
 
 
Orunmilá é o interventor e defensor dos seres humanos, sempre tentando minorar os sofrimentos e dificuldades que enfrentam na saga das suas sucessivas existências na Terra.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Sabedoria Divina


Mulher Tenha sempre ESPERANÇA, creia no infinito poder de Deus e na sua inesgotável bondade.
Por disposição da sabedoria divina, tudo o que acontece em nossas vidas em um segundo se modifica e ficará para trás amanhã, e você seguirá avante sempre vitoriosa, se você acreditar que pode.
Se alguém te magoar, não te reconhecer como pessoa que sente e sofre como ela, não medir as conseqüências dos atos praticados para o sofrimento alheio...,  ESPERE O AMANHÃ. Continue na sua caminhada, tropece, mas levante porque dor e sofrimento não perduram, só a alegria e a luz emanadas de amor, permanecem para sempre.

Diante de qualquer dificuldade não se abata, Tente outra vez,.e você terá êxito se dominar seu ímpeto e lutar com todas as suas forças para que o positivo prevaleça..
Infeliz aquele que não caminhar do teu lado, pois perderá o privilégio de receber de você toda energia divina que tu mesmo não vês , mas que brota de ti dia a dia sem que sintas, perderá também a fortaleza e o amor que poderia ser dedicado a ela nessa estrada de tormento e expiação que é a vida.

Como é bom compartilhar a caminhada, dividir dores e alegrias verdadeiramente, sem mentiras, sem enganos...., acredite Mulher quem perde é quem vai...,  e perde muito ...,  não tem noção de quanto...,  mas terá. BREVE! Levante a cabeça e as soluções começam a aparecer.  Não sofra mais...,  pois não vale apena sofrer por aqueles que se mostram realmente ..., inanimados seres que vivem por viver...., agradeça por poder ver a realidade e entenda os desígnios do criador...,  nunca duvide que ele quer sempre o melhor pra você. As coisas se modificam, quando pensamos positivo. Quantas vezes você já ouviu isso ? Acredite no poder do CRIADOR, creia que tudo depende de você. Acredite, você é forte e pode vencer. Acredite no que você carrega, acredite na sua essência, acredite no mistério do universo. Nós quando queremos podemos TUDO! Voe, voe alto..., você pode! Mulher,  acho que você já sabe o quanto você é querida pra mim, és minha filha, e eu estou sempre com você.  Você é um ser único especial, e como seu pai cobro os desafetos por você.. Você é uma flor linda, de essência e áurea branca, só precisa se ver assim. Que você possa me sentir junto a ti cada vez mais, sentir que eu estou dentro de você , sentir a essência emanada de poder divino que eu, seu PAI, transmito a você. Nunca permita que nada e nem ninguém te apeteça, ou que venha te causar sofrimento,NÃO PERMITA ! Filha você vai colher vitórias...,  porque eu, ELEGBARA quero !
Muita Luz!

Mensagem recebida por Esú Biyì Talade- Setembro de 2011

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O QUE É OU QUEM É ÈLA?


O que é: o princípio da ordem; aquele que mantém o mundo acertado e em ordem.


ÈLA veio para a terra no ODU de OBARA OYEKU. O significado deste princípio primordial que se chama ÈLA e que, sem ele, nosso mundo seria um caos total.
A tradição oral nos passa que ÈLA é um princípio espiritual que não teve espaço para se tornar conhecido, pois foi dominado historicamente pelo aumento do número de divindades e senhores da cultura Yorubá. Em função disso ÈLA não foi definido.
“Na tradição oral existem muitos que dizem que ele “é um dos muitos nomes atribuídos à IFA (ORUNMILA), e é descrito como o principal entre eles” ou que “ é o seu empregado de confiança". Essa afirmação têm um fundo de verdade.
Existe uma forte ligação entre ÈLA e ORUNMILA, pois se ÈLA é o princípio da ordem, da retificação de destinos infelizes, ORUNMILA precisa deste princípio para cumprir o seu papel de grande preservador da felicidade e retificador de destinos infelizes, uma vez que podemos dizer que ordem significa felicidade, harmonia, paz e desenvolvimento. ÈLA é chamado de "aquele que mantém o mundo acertado". Assim, podemos até fazer uma reflexão no sentido de que ÈLA é um princípio primordial onde ORUNMILA tem a sua origem. Podemos afirmar, portanto, de forma inquestionável, que ÈLA é uma emanação direta de OLODUNMARE.
ÈLA é chamado pela tradição oral de ÈLA OMO OSIN - " ÈLA é o preferido de OSIN" - o que é OSIN ? Para o Yorubá, OSIN É O LÍDER DOS LÍDERES, ou seja, OLODUNMARE.
Vamos à criação. De acordo com a tradição, ORUNMILA desceu à terra para colaborar com ORISA-NLA nos afazeres de organizar a terra e colocar todas as coisa nos seus devidos lugares (ordem), logo, ÈLA seguramente estava presente. Para ilustrar esse papel, vamos transcrever uma história do ODU ODI IWORI;

ÈLA Iwòri ni kì jéki aiyé ra 'jú;
Nigbati aiyé Oba-'lufe darú,
ÈLA Iwòrì l' o bá a tún aiyé rè se;
Nigbàti awon o-dà-'lè ìlú Akilà ba aiyé ìlu won jé,
ÈLA Iwòri l' o ba won tún u se;
Nigbati òsán d' òrun ni ilù Okèrèkèsè,
Ti aiyé ìlú nã di rúdurùdu
Ti awon awo ibè bà a tì,
ÈLA Iwòri l' o ba Olúyori Oba ibè tún u se;
Nigbàti élègbára bá nfé s' ori aiyé k' odò,
ÈLA Iwòri ni' ma dùdú ònà rè;
ÈLA Iwori kì' gb' owó,
ÈLA Iwòri ki' gb' obi,
On l' ó sì ntún ori ti kò sunwòn se.
ÈLA IWORI é quem salva o mundo da ruína
Quando o mundo de OBA LUFE tornou-se confuso
ÈLA IWORI é aquele que restaurou a ordem
Quando os depredadores de AKILA deterioram a cidade
ÈLA IWORI é aquele que acertou as coisas para o povo,
Quando o dia virou noite na cidade de OKEREKESE (Egito)
E os sábios do lugar foram desviados. ÈLA IWORI foi aquele que trouxe a ajuda de OLUYORI, seu rei, como remédio,
Quando ELEGBARA planejou virar o mundo de cabeça para baixo,
ÈLA IWORI foi quem o obstruiu,
ÈLA IWORI não recebe dinheiro
ÈLA IWORI não recebe OBI
Ainda é ele quem retifica destinos infelizes.

Se nós aceitarmos que ÈLA é um princípio primordial, que estava presente no início da criação, estando no mundo e preenchendo-o de bons trabalhos, estabelecendo a ordem e colocando as coisas em seus devidos lugares, poderemos dizer que em um determinado momento o homem de alguma forma acordou de seu estado de "letargia" em um mundo perfeito e sem atropelos e neste momento se rebelou contra ÈLA, creditando a ele, a responsabilidade de ter retardado o crescimento do mundo, então o difamaram. Em função disso, conta à tradição que ÈLA se ofendeu e ascendeu aos céus através de uma corda esticada. Foi somente assim que os habitantes do mundo perceberam que era realmente impossível viver sem ÈLA e assim, desde então, se tem rezado por suas bênçãos.

Vamos a outro verso:

ÈLA s' ogbó, s' ogbó
ÈLA s' ató, s' ató
O f' òdúndún s' Oba ewé
O f' Irosùn s' o sòrun rè;
O f' Okun s' Oba omi
O f' osa s' osòrun rè;
A-s' - èhin-wa a- s'-èhin-bò
Nwon ni ÈLA kò s' aiyé re;
ÈLA b' inu, o ta' kùn, o r' òrun;
Omo ar'-aiyé tún wá nkigbe:
ÈLA dèdèrè I' ó mã sòkalè wa gb' ùre.
ÈLA dèdèrè
ÈLA realmente fez a velhice
ÈLA realmente fez a vida longa
Ele fez de ODUNDUN o rei das folhas
Ele fez de IROSSUN o seu sacerdote.
Ele fez do oceano o rei das águas.
Depois de tudo, e ao final,
Eles pronunciaram que ÈLA havia conduzido o mundo pelo caminho certo.
ÈLA se ofendeu, ele estendeu uma corda e subiu ao céu.
Os habitantes do mundo mudaram de opinião e passaram a chamá-lo.
ÈLA, volte a nos abençoar, ÈLA, volte!.

Nessa linha ÈLA é referenciado como um libertador. Neste papel aparece a sua ligação com ESU. É sabido que ESU é a dinâmica de todas as coisas, instaura a desorganização geradora de uma nova ordem, num processo contínuo de desenvolvimento do mundo, a dinâmica que faz o mundo andar. Se considerarmos que ÈLA é o princípio da ordem e ESU provoca a desordem e se em algum momento imaginássemos que a desordem provocada por ESU levasse ao caos, somente a interferência de ÈLA como princípio poderia garantir uma nova ordem. Desse modo, podemos dizer que ÈLA trabalha juntamente com ESU, especificamente na tarefa de restabelecimento do equilíbrio.
ÈLA como princípio é de suma importância na vida dos sacerdotes da religião Yorubá, pois o papel dos sacerdotes é manter e/ou instaurar a ordem. Portanto, como isso poderia ser feito sem a interferência de ÈLA?
Realizar ÈLA significa carregar ISI. Abaixo temos duas histórias que explicam esta afirmação.
“Existia uma localidade onde os reis não duravam mais de três anos e então eram substituídos - o próximo morreria antes de três anos e assim sucessivamente. A família de onde esses reis eram oriundos era muito rica e o poder era algo extremamente cobiçado, mas o fato da morte prematura era um empecilho para que eles quisessem se tornar reis. Foram consultar ORUNMILA e no jogo apareceu o ODU OGUNDA OFU, significando que todos os reis têm um ORISA ao qual devem saber cultuar antes que lhes seja entregue o OPA.”
“Um Rei que num determinado tempo teve suas esposas (6), seus filhos e servos (7) contra ele; suas esposas não queriam mais se relacionar com ele; seus filhos voltaram as costas para ele, bem como seus servos. O rei revoltou-se e, munido de seu Opa e de uma espada, saiu à procura deles, que haviam fugido.
O rei então falou que eles deveriam carregar ISI, sem o que não seriam perdoados. Os filhos então pegaram 4 inhames e ofereceram para o Rei (que era o próprio ORUNMILA). Prepararam o inhame e o levaram para o Rei, carregando-o na cabeça.
O rei então disse que precisaria matar um deles; os filhos responderam que eles haviam feito o que ele havia pedido. O rei perguntou se era ISI macho ou fêmea. Eles responderam que era ISI feminino.
Ele ouviu e não soltou o Opa e a espada. Eles pediram três vezes que ele os soltasse. O rei então respondeu:
"Onde vocês ouviram que esposas, servos e filhos não fizessem o que o Rei quer ?"
"Assim, antes que eu largue o Opa e a espada, vocês tem que prometer carregar ISI sempre. Só assim eu os perdôo."
ISI significa carrego de submissão e homenagem. Ou seja, curvar-se diante do sagrado, do superior, do maior. Para se falar em ordem temos que falar em respeito e homenagem, em submissão à um princípio maior que nos proporcionará a felicidade. Aprender que antes de tudo devemos agradecer, louvar e cultuar.
ÈLA, por fim, é sempre invocado durante os cultos para que venha e abençoe os oferecimentos, tornando-os aceitáveis. ÈLA também é denominado como o princípio que inspira a aceitação de alguns sacrifícios; que inspira o culto correto e é por ele que a vida tem sido oferecida.
Para finalizar vamos transcrever uma cantiga de ESÙ:

ESÙ fi ire bò wá o.
ÈLA fi ire bò wà yà yà.
ESÙ gbè ire ajè kò wá o.
ÈLA fi ire bò wà yà yà.
IYA-MÒGÚN fi ire bò wà o.
ÈLA fi ire bò wá yà yà.
ESU, faça nossas vidas plenas de coisas boas.
ÈLA, ponha muita sorte em nossas vidas.
ESU, ponha sorte e progresso em nossas vidas.
ÈLA, ponha muita sorte em nossas vidas.
IYA MOGUN, faça nossas vidas plenas de coisas boas.
ÈLA, ponha muita sorte em nossas vidas.

Mojubá ò Agboniregun Orunmilá Ifá
Ifá Koredè Emerson Fernandes

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

D A F A - UM PODEROSO SISTEMA PARA OUVIR A VOZ DO CRIADOR.


O fundamento da divinação em Ifá é a habilidade em interpretar os Odù (o texto sagrado da divinação em Ifá) sob a direção e influência de Elà, o Espírito de Luz ou o Espírito de Pureza. A palavra Elà é uma elisão do pronome pessoal 'e' com 'alà' que significa "luz". A sabedoria de Ifá está baseada nos ensinamentos do profeta histórico Orúnmìlà que recebeu inspiração do Espírito de Elà. Todos os awo (Babaláwos) que são iniciados em Ifá são considerados descendentes de Orúnmìlà e portais para o Espírito de Elà como resultado da transformação que acontece durante iniciação em Ifá.
Na Diáspora há algum debate sobre a questão se os Babalawos de Ifá não entram em possessão. Este pode ser um problema semântico baseado nas palavras limitadas em inglês que se aplicam a este tipo de fenômeno. Não há nenhuma dúvida em minha mente que o Babaláwos com quem eu estudei na África, entram em um estado alterado de consciência durante divinação. Eles se referem a este estado como "eu retorno ao tempo em que Orúnmìlà caminhou sobre a terra". Em um nível subjetivo é um lugar de saber profundamente e de se lembrar profundamente. A fim de que o divino esteja apto, a cabeça e o coração devem estar em alinhamento perfeito. Deste lugar de alinhamento é possível se conectar com formas de consciência no reino invisível. Neste lugar os problemas e soluções aparecerem simultaneamente ao Babaláwo. É quase como um reflexo condicionado que dá ao Babaláwo uma certeza interna eles estão caminhando para a resolução de um problema particular. O estado alterado de Ifá é diferente que as formas de possessão comuns entre os cultuadores de Òrìsà (Forças da Natureza) em rituais públicos. A Possessão dos Òrìsà tende a ser mais estática e dinâmica, enquanto ser tocado por Elà é mais introspectivo e quieto. 


Após a conexão entre o iniciado e Elà que é feita durante iniciação, o iniciado tem uma responsabilidade em manter e nutrir esta conexão, caso contrário ela se tornará fraca, inacessível e eventualmente desaparecerá. Esta conexão é nutrida pelo ciclo de oração à Ifá. A disciplina de manutenção do ciclo de oração à Ifá também tem o efeito de tornar o Egbe Ifá mais coeso.
Transcrito por Awo Ifákoya, segundo os ensinamentos recebidos do Balogun Awolalu Onisegun Ifase de Ode Remo - Nigéria.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ILÉ-IFÈ, O BERÇO RELIGIOSO DOS YORUBAS, DE ODÙDÚWÀ A SÀNGÓ






A cidade de Ilé-Ifè é considerada pelos yorùbá o lugar de origem de suas primeiras tribos. Ifè é o berço de toda religião yorùbá (culto aos òrìsà, Candomblé no Brasil), é um lugar sagrado, aonde os deuses ali chegaram, criaram e povoaram o mundo e depois ensinou aos mortais como os cultuarem.

Olódùmarè, o ser superior dos yorùbá, que vive num universo paralelo ao nosso, conhecido como ÒRUN, através dos òrìsà por ele criado, resolve incumbir um dos Òrìsà Funfun (do branco), Òrìsànlá (o grande òrìsà) de criar e governar o futuro àiyé (nosso universo conhecido). Ele lhe entrega o àpò-Ìwà (o saco da existência) o qual contém todas as coisas necessárias para a criação, Òrìsànlá, de posse do àpò-Ìwà, põe-se a caminhar pelo òrun, para chegar à porta do espaço, até então vazio, que viria a ser o àiyé. Ora, Òrìsànlá, o òrìsà que usa um cajado ritual conhecido como òpá-sóró, durante o caminho se defronta com o igí-òpe (árvore do dendezeiro) e com o seu òpá-sóró, perfura o caule da árvore da qual começa a jorrar o emu (vinho da palma), e põe-se a beber, a tal ponto, que cai totalmente embriagado no pé da árvore e dorme profundamente.








Odùdúwà, outro òrìsà funfun, que tinha ficado enciumado, porque Olódùmarè tinha entregado a Òrìsànlá o àpò-Ìwà, estava seguindo-o pelos caminhos do òrun, esperando que ele cometesse algum deslize, o que de fato aconteceu. Odùdúwà, encontrando-o, apodera-se do àpò-Ìwà e leva-o até Olódùmarè, narrando o acontecido, e, por este fato Olódùmarè, delega a o poder de criar o àiyé e incumbe a Òrìsànlá de somente criar e modelar os corpos dos seres humanos no òrun, sob sua supervisão e o proíbe terminantemente de provar o emu. Odùdúwà chegando ao àiyé cria tudo o que era necessário e delega poderes às outras divindades para governar a criação. Como Òrìsànlá já tinha moldado corpos suficientes para povoar o àiyé, Odùdúwà então, funda a cidade de Ilé-Ifè, que se torna a morada dos deuses e dos novos seres.

Após tudo estar em pleno funcionamento, Odùdúwà casa-se com Ìyá Olóòkun (divindade feminina, responsável e dona dos mares) e torna-se o primeiro Oba (rei) do povo yorùbá, com o título de “Oba Óòni”, ou seja, o primeiro Óòni de Ifè. Com Olóòkun, Odùdúwà tem dois filhos, o primogênito, a divindade Ògún e uma filha de nome Isedele. O tempo passa e seus filhos tornam-se adultos, com isso Odùdúwà, que era uma divindade negra, porém albina, incumbe seu filho Ògún de ir para a aldeia de Ogotún, vizinha de Ifè, conter uma rebelião. Ògún, divindade negra, senhor do ferro, parte para sua missão e realiza o intento, trazendo consigo “Lakanje”, filha do rebelde vencido. Ora, Lakanje era espólio de Odùdúwà que era então o Óòni de Ifè, portanto intocável, mas Lakanje era muito bela e extremamente sensual e Ògún não resistiu aos seus encantos e com ela teve várias noites de amor, durante sua viagem de volta. Chegando a Ifè, ele entrega os espólios da conquista, inclusive Lakanje, a seu pai Odùdúwà. Também Odùdúwà não resistiu aos lindos encantos da mortal Lakanje e por ela se apaixona e acabaram por casar-se.

Ògún nada tinha contado a seu pai dos fatos ocorridos e logo após o casamento Lakanje está grávida, desta gravidez nasce um homem de nome Òrànmíyàn. Só que o destino foi fatídico, Òrànmíyàn nasceu metade negra (cor de Ògún) e metade branco (cor do albino Odùdúwà) revelando assim, a traição de Ògún para com a confiança de seu pai. Com Lakanje, Odùdúwà teve mais seis filhos, que geraram as linhagens dos Obas yorùbá e que foram os precursores de sete principais tribos que deram origem à civilização dos yorùbá e, teologicamente falando, toda a população do mundo.

O tempo passa e Òrànmíyàn torna-se o braço direito de seu pai em Ilé-Ifè, pois seus outros irmãos foram povoar regiões distantes. Odùdúwà ordena então que Òrànmíyàn conquiste terras ao norte de Ifè, mas Òrànmíyàn não consegue cumprir a tarefa e sai derrotado e, com vergonha de encarar o pai, não volta mais a Ifè, com isso funda uma nova cidade e lhe dá o nome de Òyó, tornando-se o primeiro Oba Aláàfin de Òyó. Casa-se com Moremi, uma mortal, da qual tem um filho, que recebe o nome de Ajaká. Após algum tempo, Òrànmíyàn investe em novas conquistas e volta a guerrear contra a Nação dos Tapas (onde havia sido derrotado), mas desta vez consegue uma grande vitória sobre Elempe, na época rei dos Tapas. Por sua derrota, Elempe entrega-lhe a filha Torosi, para que se case com ele. Retornando a Òyó, Òrànmíyàn casa-se com Torosi e com ele tem um filho, chamado Sàngó (um mortal, nascido de pais mortais, que somente após sua morte, foi entronizado como divindade). Após este período com inúmeras vitórias, a cidade de Òyó torna-se um poderoso reino. Òrànmíyàn, poderoso e redimido de sua vergonha, volta para Ilé-Ifè, para reinar no lugar de seu pai Odùdúwà, deixando em seu lugar, em Òyó, seu filho primogênito Ajaká, que se torna o segundo Aláàfin de Òyó. Mas Ajaká, meio-irmão de Sàngó, era muito pacífico, apático, e não realizava um bom governo.

Sàngó, percebendo a fraqueza de seu irmão e sendo muito ambicioso e astuto, destrona Ajaká do poder e torna-se o terceiro Aláàfin de Òyó. Ajaká, também apelidado de Dadá, vai embora de Òyó, pois não poderia mais usar a coroa real de Òyó, e, com vergonha de ter sido destronado, jura que neste seu reinado vai usar uma outra coroa, que lhe cubra seus olhos envergonhados, e que somente irá tirar essa coroa quando ele puder usar novamente o Ade que lhe fora roubado. Essa coroa que Dadá Ajaká passa a usar chama-se Ade Bayánni. Dadá Ajaká então casa-se e tem um filho que se chama Aganju, que vem a ser sobrinho de Sàngó. Sàngó reina durante sete anos sobre Òyó e, com intenso remorso das inúmeras atrocidades cometidas, suicida-se, enforcando-se numa árvore. Com o fato consumado, Dadá Ajaká vai até Òyó e assume o trono de que fora destronado. Retira então o Ade Bayánni e passa a usar o Ade Aláàfin, tornando-se então o quatro Aláàfin de Òyó.

Após sua morte, assume o trono seu filho Aganju, neto de Òrànmíyàn e sobrinho de Sàngó, tornando-se o quinto Aláàfin de Òyó. Como Aganju não teve filhos, com ele acaba a dinastia de Odùdúwà em Òyó. Assim acaba o primeiro período de formação dos povos yorùbá. De Ifè até Òyó, de Odùdúwà a Aganju, passando por Sàngó. O que notamos nesse primeiro período é que, na realidade, o que se fala de Sàngó e a sua história nos Candomblés do Brasil são incorretos, levando os fiéis a crerem em fatos irreais. Notamos que Odùdúwà é um òrìsà funfun individual, é o pai do povo yorùbá e não uma simples qualidade de Òrìsànlá, ou seja, são divindades totalmente distintas, inclusive não se suportavam, pelos fatos vistos.

Concluímos que Sàngó foi um simples mortal em vida, portanto tornou-se um Èégún quando morreu, pois seus pais eram mortais. O que ocorreu em sua vida foi que a divindade feminina de nome Oya por ele se apaixonou e, no instante de sua morte, ela o pega e o conduz diretamente a Olódùmarè que, por insistência de Oya, o faz ressuscitar e tornar-se uma divindade, já que em vida Oya, perdida de amores, ensina-lhe vários segredos das divindades, principalmente o segredo do fogo que pertencia somente a ela, Oya, e que ela lhe ensina e lhe dá o poder, por paixão. Essa afirmação é facilmente notada, pois Sàngó é a única divindade do panteão que é assentada de forma completamente diferente, isto é, sua roupa é composta de várias tiras de panos, coloridas e soltas, caindo sobre as pernas, que lembra perfeitamente o tipo de roupa usada pelos Baba Égún, e seu animal preferido para sacrifício é também o mesmo dos Égún, o carneiro.

Nos candomblés, citam Ajaká e Aganju como sendo “qualidades” de Sàngó, o que agora sabemos não ser possível, pois Ajaká é seu meio-irmão e Aganju é filho de Dadá Ajaká, portanto seu sobrinho, notoriamente pessoas mortais completamente distintas, que fazem parte da família de Sàngó, mas não tiveram a felicidade de se tornarem divindades. Também, no Brasil, faz-se uma cerimônia chamada de “coroa de Dadá” ou “Ade Bayánni”, que é levada ritualmente em uma charola durante as festas do ciclo de Sàngó, chamada de Bayánni ou Iyamasse. Ora, sabemos que quem usou este Ade foi Ajaká, apelidado de Dadá, de quem Sàngó roubou o trono, e que a mãe de Sàngó foi Torosi, filha de Elempe, rei dos Tapa, que ela não tem nenhuma importância teológica, somente histórica, por ter sido mãe de um Aláàfin. Não estamos condenando nem desmerecendo Sàngó, somente tentamos elucidar fatos notoriamente conhecidos na terra dos Yorùbá.

Este texto é uma contribuição da minha querida Irmã Eliane Haas.